A modelo é a Rachel Jean, mais uma vez. Monique A. Albritton fez um excelente trabalho de maquiagem e cabelo. Além disso, as duas me ajudaram na produção do figurino. Elvira Ross, minha landlady, cedeu a sua fantástica sala de estar por dois dias pra gente produzir as fotos.
Fui nas duas Gagosian Gallery de NY no sábado, numa pra ver Alexander Calder e na outra pra ver Damien Hirst. Bastante impressionante, mas isso foi a melhor parte do passeio:
Essa etiqueta, que vinha numa caixinha com agulha, linha de costura e tesourinha, estava à venda na loja por US$150. É a mesma etiqueta que aparece costurada em peças de roupa da mesma Cynthia Rowley. Está disponível aqui também.
Por razões que eu prefiro ignorar, meu namorado acabou de me mandar um email que continha apenas um link pra entrada “Hart Island, New York” na Wikipedia. Eu nunca tinha ouvido falar nessa ilhota de 40 hectares que fica a leste do Bronx e não é acessível ao público.
Essa ilha já foi usada como prisão provisória, campo de concentração de presos da guerra da Confederação, um reformatório, hospício, local de quarentena para febre amarela, asilo para idosos, para tuberculosos e como depósito de mísseis anti-aéreos. Desde 1869 é um cemitério de indigentes da cidade, e o número de corpos enterrados lá desde 1869 varia de 750.000 a mais de 800.000, dependendo da fonte.
Dizem que não só indigentes são enterrados lá, mas também pessoas cujas famílias não tinham dinheiro para pagar um funeral, e corpos de pessoas que não foram identificadas por ninguém duas semanas após a morte. A história é que um terço dos corpos são de crianças com menos de 5 anos que morreram no hospital, muitas dessas natimortas. Os pais, quando assinam um “enterro municipal”, não sabem pra onde o corpo vai, ou que ele será enterrado em um caixão de pinho sem uma tumba individual. Até bem pouco tempo os registros eram bem difíceis de encontrar, o que tornava uma busca pelo filho morto anos mais tarde quase impossível.
Os enterros são feitos por detentos de Riker’s Island, sem cerimônia, evitando gastar mais dinheiro do contribuinte. Cada vala é marcada e enterra 150 corpos de uma vez, 2 por 3 por 25. Depois de 25 a 50 anos do enterro, quando a decomposição já está avançada, corpos são removidos pra dar lugar a novos mortos.
(Essa história toda me lembrou a história bizarra de um certo projeto de web de orçamento modesto que incluía a digitalização de registros de nascimento e falecimento de mais de um milhão de pessoas que existiam apenas em papel, em Utah. Ninguém queria trabalhar na digitalização pela grana oferecida, só um bando de mórmons tava moito afim. Depois do projeto finalizado, descobriu-se que os mórmons curtem horrores moito que TODO MUNDO AND THEIR MOTHERS seja mórmon –se tu vira mórmon, eles supostamente só completam a tua conversão se tu concordar em converter os teus antepassados– e que eles batizaram TODAS AS PESSOAS DO REGISTRO como mórmon. Como eles fizeram isso é que eu não sei.)
Descobrimos Vinegar Hill, um bairro no Brooklyn, andando de bicicleta uma primavera dessas. É um bairro histórico atualmente habitado por hippies velhos que moram lá desde os anos 70.
Ainda bem que eu fui embora é um blog sobre New York City, Brooklyn, Estados Unidos, muitas aventuras, tremendas confusões, fatos e fotos, para que a minha mãe, o meu pai, o meu irmão, você e meus amigos (mas especialmente a minha mãe) vejam se estou me alimentando direitinho por aqui.
Por Sabrina Fonseca.