
Mas, também, eu marco facinho. In other news, acabo de consertar o freio da minha bicicleta. Mamãe jamais acreditaria. E até hoje não faço idéia de como funciona um carro.

Mas, também, eu marco facinho. In other news, acabo de consertar o freio da minha bicicleta. Mamãe jamais acreditaria. E até hoje não faço idéia de como funciona um carro.
Inventei que queria pedalar até o trabalho hoje (= Brooklyn > Queens > Manhattan). Quando cheguei no Queens, o trânsito de caminhões e SUV’s era infernal, e eu peguei câncer de pulmão. Minha saia prendeu na roda de trás da bicicleta, eu tentei arrumar e caí com bicicleta e tudo no meio da rua. Meu joelho tá esfolado, minha saia rasgou, a parte interna da coxa tá inchada e dolorida e eu não consigo cruzar as pernas, meu pé que torce sempre torceu, um dos freios parou de funcionar e eu achei melhor voltar e deixar a bicicleta em casa e pegar o trem. Faziam mais de 15 anos que eu não botava um band-aid no joelho. Ainda por cima, eu não encontrei band-aids da Disney em casa ou na farmácia.
Já não sei quanto tempo faz que em Nova York a cultura de locomover-se de bicicleta é encorajada pela prefeitura, mas sei que esse ano PEGOU, acho que especialmente por causa da crise do petróleo. O que é ótimo, pois as ruas de NYC são planas na sua maioria, perfeitas pra andar. Ajudou bastante que MUITAS ruas ganharam uma faixa somente para bicicletas, e assim ficou fácil de fazer um trajeto longo sem sair dessas partes reservadas. E continuam instalando hacks especiais para acorrentar as bicicletas; é só deixar ali, ir trabalhar e voltar no fim do dia.
Mas quem adota essa rotina enfrenta dois problemas. Um é que bicicletas são fáceis de roubar, e difíceis de se recuperar. Esses caras até fizeram um vídeo onde roubaram as próprias bicicletas várias vezes em pontos diferentes da cidade, pra mostrar que não demora nada, não requer prática nem habilidade e ninguém vai te prender.
As lojas de bicicletas daqui vendem uma grande variedade de correntes e cadeados para evitar esses problemas, mas poucos evitam que um cara com um MARTELO leve a tua bicicleta. Para isso, um dos fabricantes criou a coleção de correntes e cadeados New York. São cadeados de aço que custam em média US$100 e pesam no mínimo 5 quilos, tão pesados que as pessoas levam enrolados na cintura ou atravessado no ombro, pra não perder muito o equilíbrio da bicicleta. São bem mais difíceis de se cortar, mas não impossíveis, e às vezes os ladrões entortam toda a tua bicicleta acorrentada, por maldade ou insistência. Por muitos motivos, esses cadeados não são fáceis de se encontrar fora da cidade.

Kryptonite - New York Fahgettaboudit®. Comprei o meu, espero não cair da bicicleta por causa dele.
O outro problema é que os motoristas ainda não estão muito acostumados com o fluxo de ciclistas, além de serem naturalmente toscos. Por causa desses acidentes foram criadas as tais ghost bikes, bicicletas pintadas de branco acorrentadas em postes perto de locais onde ciclistas morreram no trânsito.
Existe muita pressão por aqui para que as bicicletas ganhem tanto espaço quanto os carros e acidentes assim não aconteçam tanto. Critical Mass é um grupo sem núcleo específico que inspira locais a organizarem grupos de ciclistas em horas e locais determinados para invadir as ruas e impedir o fluxo do trânsito dos carros. Deu baita confusão quando um vídeo de um policial derrubando e prendendo um ciclista que participava de uma dessas ações na Times Square provava que o pobre coitado não tinha feito nada, ao contrário das alegações da polícia que dizia que ele tinha provocado. A polícia não gosta muito dessas manifestações porque elas acontecem sem permissão, o que é contra a lei municipal. O grupo defende que a constituição proíbe que sejam criadas leis regulando que as pessoas se reúnam na rua de forma pacífica.
Acho que os dois lados estão exagerando, mas acho que faz sentido que exista um movimento de defesa das bicicletas nas ruas numa cidade que, de tão engarrafada, já tava pensando em multar carros particulares que circulassem pela ilha em determinados dias da semana.
Desgraça! desgraça enorme!
A cerveja encareceu!
Já não bebe - quem bebeu!
Desgraça! desgraça enorme!
Ninguém mais, nas onze, dorme!
Beber água?.. É p’ra judeu!
Desgraça! desgraça enorme!
A cerveja encareceu!
A propria água subio
(O cambio vive descendo…)
Meia-penna vae crescend…
A propria agua subio.
Ha já um cégo que vio
As taxas do gaz rangendo
A propria agua subio!
(O cambio vive descendo)
Porém, voltand’ á cerveja:
Alguém vio maior pirraça?
Pois olhem: não acho graça.
Porém, voltand’ á cerveja:
Mas eu não quero a chalaça -
- Mas é que a raiva me racha!
Porém, voltand’ á cerveja:
Alguem vio maior pirraça?
– João Simões Lopes Neto, sob pseudônimo Serafim Bemol, no folhetim “A Mandinga”, de 1893.
Simões Lopes Neto, além de ser o escritor que todo mundo lembra das aulas de literatura gaúcha, também criou o cigarro “Marca Diabo”, cuja fábrica foi fechada por conta de protestos religiosos. Séreo.


(Poema e imagens são cortesia do Ricardo Grzeca, que encontrou esses versinhos que eu procurava já faziam anos. E essa é a primeira e última vez que posto versinhos nesse blog.)
Estou assistindo as Olimpíadas horrores, especialmente natação. Nada como uma piscina olímpica ao ar livre bem fresca numa noite de luar. Fico toda emocionada quando o Phelps ganha alguma coisa por uma unha. Acho a Dana Torres incrível. Quando desconfio que estou torcendo pros EUA, vejo o Brasil ganhar a primeira medalha de ouro na natação e festejar horrores e me dá uma alegria, e eu quase penso que existe algum patriotismo nesse corpinho. Ou suscetibilidade a propaganda. Afinal, só assim faz sentido eu me vender tão fácil só porque a edição americana das Olimpíadas liga o som da torcida ou da conversa entre treinador e atleta só na hora da performance dos EUA.
Ou isso, ou vai ver eu apenas adoro ver coisas bonitas e gente ganhando e ficando feliz com isso — o que não é exatamente a regra.
P.S.: esse post defensivo só faz sentido se eu contar que, pra não morrer antes da hora, eu faço hidroginástica, ando de bicicleta lerdinha e caminho ao invés de correr porque MORRO de preguiça de esportes. E dizer que eu pratico essas 3 modalidades quer dizer que eu pratico cada uma delas uma vez a cada duas semanas, mais ou menos.
Acaba de passar na rua do lado uma procissão em homenagem a Rasha, uma iraquiana que morreu andando de bicicleta atropelada por uma SUV aqui na vizinhança. Eu não conheci ela, mas o que me chamou a atenção é que a Hungry March Band liderava a procissão tocando músicas tristes e alegres, seguidos de umas 150 pessoas vestidas de preto segurando guarda-chuvas num dia de sol. A procissão saiu de uma das 3 igrejas que existe num raio de 200 metros da minha casa.
Estou no Maine, tirando umas férias curtinhas. O Maine é a Vacationland oficial, de acordo com o que as placas de trânsito do estado declaram; se no inverno o estado é relativamente vazio e frio, no verão as casas de veraneio enchem de gente que passam os dias tomando banho de lago, andando de lancha, caiaque, jet-ski e fazendo esportes de CAMPO. Maine = capital do acampamento de verão para jovens. E “cheio de gente” é relativo, pois não vi nenhuma Tramandaí acontecer.
Na quinta, meu primeiro dia aqui, choveu o dia inteiro e não fizemos nada. No fim do dia resolvemos catar um cinema e assistir ao Dark Knight de uma vez, que já tava ficando ridículo. Procurando pelo segundo cinema, já que o primeiro não tinha mais sessões, lá pelas 8 da noite encontramos muito por acaso um DRIVE-IN. No meio do nada, sem muita bandeira, construído toscamente no meio de um campo aberto entre as árvores. A sessão era Wall-e seguido de Dark Knight, e não tinha hora certa pra começar “porque é drive-in, sabe como é”. Estacionamos o carro de costas pra tela e sentamos no porta-malas, fazendo igual à família que estacionou na nossa frente e jogava bola enquanto o filme não começava.
Muita emoção esperando anoitecer pro filme começar de uma vez. Apesar de toda a comida da janta (cachorro-quente na grelha, u-hu), compramos pipoca e REFRIGERANTE e tocamos o horror anos 60. O som do filme era transmitido por FM, mas os donos do local não tiraram os postes com cestinhas que guardavam as caixas de som que deveriam ser acopladas no carro, o que ganhou o nosso respeito. Lá pelas tantas Wall-e começou e foi a animação mais excelente que já vi, obviamente.
Entre Wall-e e Dark Knight rolou um intervalo de 10 minutos FANTÁSTICO animado pelos vídeos de intermission time de épocas em que drive-ins eram comuns. Entre “go to the church every week - exercise your freedom to worship at your desire” e “get SOFT DRINKS at our refreshment center NOW”, um coutdown bizarro rolava pras pessoas se acomodarem logo pro próximo filme. Algo que só podia acontecer num drive-in antigo cujos únicos funcionários são o dono e sua mulher, ou a dona e seu marido.
Saímos de lá à 1 da manhã. Dark Knight é longo, mas nada mau — pena que tem tanta coisa acontecendo que eu não consegui prestar atenção em todos os meus atores favoritos menos Johnny Depp atuando no mesmo filme. Preferi Wall-e. Até agora eu acho que sonhei que estive nesse lugar.
Caso esteja pela região durante o verão, passe lá.



Achei no chão na frente da minha casa, tirei uma foto e fui embora sem fazer nada. Quando voltei, duas horas mais tarde, ainda tava no mesmo lugar. Fiquei com medo que o simples ato de pegar e entregar pra algum policial (tinha vários a uma quadra dali) fosse considerado posse ou sei lá o quê. Mas me arrependi depois de não ter jogado no lixo, vai que alguma criança encontra.