



New York is difficult to fence in. It’s offensively arrogant and perplexingly tolerant. Erotically alluring and nauseating repulsive. An oxygen tank for thoughts, and quicksand for illusions. Sentimental Samaritan and merciless lyncher. Empty talk at predictable receptions, and genuine interest in unlikely situations. Voluptuous muse, and flat canvas. Cool business card, target oriented CV, brief acquaintance, entertaining fuck, miserable marriage, harmonic partnership and lifelong friendship.
Achei isso nessa apresentação de exposição que não verei. Fazia tempo que eu pensava nas razões (óbvias) pelas quais a maioria das pessoas que conheço que visitaram essa cidade não gostaram muito, e eu acho estranho porque gosto, odeio e tolero pelas mesmas razões.
Finalmente coloquei aquelas fotos no ar nas Fotógrafas Super Sexies, depois de dois anos sem publicar nada por lá. Fiz esse ensaio com Rachel Jean, atriz/modelo, com ajuda de Jitka Kluglova, que fez o make-up.
Hope you like it!
Eu preciso desabafar.
Eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino da minha academia (YMCA/ACM).
Na verdade, eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino de qualquer academia em que estive nos EUA*. E isso que só entrei em vestiário de academia pra botar maiô pra nadar e tomar banho. Esses vestiários femininos tinham umas cabines tipo provador de loja onde as mulheres se trocam. Um deles, inclusive, tinha mais cabines pra se trocar do que chuveiros. Então se, por exemplo, elas acabam de sair da piscina, elas se enrolam numa toalha, tiram tudo o que é possível sem deixar a toalha cair, entram na cabine, colocam roupa suficiente pra não serem consideradas nuas e saem pra terminar de se vestir. Tudo isso sem tomar banho direito nunca. Algumas, pra circular mais livremente, usam umas toalhas super elaboradas, costuradas em forma de vestido com alças.
E eu lá, me sentindo pelada num lugar público. Me recuso a entrar nas cabines porque acho ANTI-HIGIÊNICO (nenhum sentido) então aprendi me despir e me vestir a la Big Brother Brasil, mas sem o uso de cobertores, o que é muito mais ninja. Mas teve o dia em que eu tava distraída e acabei ficando pelada na frente de todo mundo no vestiário feminino sem me dar conta. Que vergonha. Meio parecido com aqueles sonhos em que tu te dá conta de que saiu pra trabalhar sem sapatos.
Enquanto isso, no vestiário masculino, me contam que os caras andam pelados OTEMPOTODO, sem o MENOR motivo.
Aiai.
* update depois do comentário do Wilson. Esqueci de mencionar que essa regra só se aplica nos vestiários dos EUA. No Brasil, as mulheres sempre foram e sempre serão peladas nos vestiários. Ninguém mandou beber e blogar.

Tenho um amigo aqui que gosta muito de ir a restaurantes provar coisas diferentes. Nos últimos tempos, meus findis têm girado em torno da missão dele de nos levar em todos os restaurantes que ele acha massa na cidade — com a ressalva de que eu odeio pimenta, então tem que ter alguma coisa que eu possa comer. Algumas pessoas sabem daquela história que, se tu resolvesse comer todas as tuas refeições em cada um dos restaurantes de Nova York todos os dias, levaria uns 8 anos pra completar a missão, ou algo assim. Pois eu acho que ele já foi em todos com mais de um ano de idade. Enfim, dá pra imaginar como eu tenho me divertido horrores com essa história.
Quanto mais eu provo, mais eu sei que COMIDA É UM LANCE INFINITO aqui. Na sexta-feira passada fomos a um restaurante japonês, comemos uns 12 pratos diferentes (porções pequenas) e não provamos um pedaço de sushi sequer. Mas coisas simples como a garfada de frango com sal de chá verde mais saborosa do mundo, o peixe agridoce, o pedaço de bife jesus cristo que tem gosto de tantas coisas que eu não consegui enumerar, e cartilagem de tubarão, que tem sabor de vila de pescador, mas bom. No outro dia fomos num restaurante de barbecue americano, e eu descobri que não gosto de nenhum dos estilos de barbecue americano — tem um pra cada estado, e o que varia é o tipo de molho e o preparo. Essas coisas são necessárias pra se descobrir que churrasco é carne + sal + o que tu usa pra assar. Qualquer outra coisa além disso é frescura.
E morcilha? Por que que eu passei a vida inteira até um mês atrás sem ter comido morcilha? Por que não se cozinham MAIS COISAS em sangue? Ah, doenças, ok. Mas vale a pena, pô. E teve o dia que eu não fui junto em que ele foi num restaurante egípcio e comeu cérebro, testículos e outras coisas sem noção e terminou o dia jogando gamão e fumando narguilé com o chef e seus amigos egípcios. E teve o outro dia que fomos no restaurante do Anthony Bourdain e eu comi um negócio nojento simplesmente delicioso, e agora não consigo lembrar o que era. E o dia em que jantei chocolate num restaurante que só serve coisas de chocolate?
Hoje eu voltei no restaurante onde meu amigo me apresentou para a tradicional sopa de cebola gratinada francesa, minha nova obsessão, que me fez esquecer o quiche que eu comi lá. Hoje o panini de queijo brie e maçã deles me fez esquecer da sopa gratinada.
As seen in NYC.



Ha, você quase pensou que esse blog nem existia mais. Desculpa, foi aquela coisa de boas festas + viagem pra Paris + quantidade absurda de trabalho pra fazer logo que o ano começou. É, fui pra França. A idéia era aproveitar que tinha vários bons amigos por lá nessa época e nenhuma família pra ver durante o feriado pra consertar isso de nunca ter estado na Europa na vida.
A primeira decisão que eu tomo após uma viagem dessas é que nunca mais viajo pra esses LUGARES DE PRIMEIRO MUNDO no inverno, muito menos essas metrópoles simpáticas onde a coisa mais divertida a se fazer é caminhar e se perder. Já testemunhei amigos demais MORREREM aqui em NY no inverno, já morri com -16 graus em Montreal em fevereiro, não sei porquê não aprendi ainda. Paris é uma cidade dessas de caminhar e se perder e ver lojinhas e coisinhas e ruazinhas e prediozinhos. Se tá muito frio, tu passa a maior parte do tempo se arrependendo de não estar vestindo 5 pares de meias. A única coisa a se fazer era beber vinho (ó, que sofrimento) ou se trancar nos museus (atrolhados de turistas) durante o dia. Adoro museu, e é quentinho ainda por cima, mas quem pode dizer que descobriu a FRANÇA DOS FRANCESES se passou o tempo inteiro vendo o Louvre?
A outra decisão não é uma decisão, mas uma constatação, talvez consequência do frio: acho que quase não tenho o que mostrar de Paris. Tirei umas fotos, mas qual é a função de tirar uma foto da Tour Eiffel quando todas as fotos dela já foram tiradas, e tá muito frio pra eu ficar pelada na frente da torre e tirar a única foto que ainda falta? Tá, eu tirei as fotos (de roupa), elas estão lá, mas toda a vez que eu tirava a câmera do bolso pra fotografar algo aparentemente obrigatório, eu me sentia como se estivesse trabalhando. Sim, Susan Sontag Cabeção pra caralho isso, mas eu acho que nunca foi tão ridiculamente óbvio do que em Paris. Nem em NYC é tão óbvio.
E, depois de me mudar pra NY, eu sempre viajo pra qualquer lugar e penso “nossa, como as pessoas são gentis aqui!”. Paris foi a exceção. Eu tava só no cotovelo lá, claramente afiado de NYC. Mas NYC perde bonito pra Paris em termos de falta de educação.
Mas eu reclamo demais, quando na verdade gostei muito da viagem, e ela me deixou cheia de vontade de fugir-pela-janela-cortinas-ao-vento e continuar visitando novos lugares. Aquela coisa que só viagens conseguem fazer contigo. Paris é linda. É uma cidade ADULTA, no sentido de que vi apenas crianças e adultos, ninguém que parecesse cair na categoria adolescente, mesmo que fosse da idade de um adolescente. Conversando com a Carol, a gente achou que existe uma certa pressão para, depois dos 12 anos, as pessoas virarem adultas imediatamente e serem responsáveis por si mesmas. O que eu acho fantástico, especialmente vivendo numa cidade em que todo mundo se acha jovem demais. Talvez minha percepção esteja errada, mas se estiver, não me conte.
E as mulheres, meu deus. Mulheres lá são MULHERES. Podem usar cinta-liga rosa, sutiã de renda e calcinha preta sem medo de ser feliz. Aqui nos EUA, cinta-liga é coideputa, Victoria’s Secret não vende mais renda, calcinha tapa TODABUNDA. Ser MULHER deve ser coidetravesti nos EUA. Se levar em conta que as francesas são as pessoas que melhor ostentam uma echarpe em volta do pescoço em todo o mundo, talvez seja coidetravesti mesmo.
E não posso deixar de falar, depois de repetir muitas e muitas vezes no Twitter, que tomar mais vinho do que água porque é mais barato e causa menos ressaca é uma das coisas mais sensacionais do mundo. Meus amigos tomavam cerveja (as mesmas cervejas que se toma por aqui, aliás) e eu perguntava POR QUÊ? Vinho é tão melhor e mais quentinho. E, ai, os queijos. UMA MURALHA DA CHINA DE QUEIJOS no supermercado. Mais sobremesas loucas, mais bistrôs. Que eu engordei apenas 3 quilos em 10 dias lá foi um MILAGRE.
No mais, visitem o Le Marais, e muito, e tomem sopa de cebola gratinada no restaurante que tem um canário cantando na janela toda vez que tu pede alguma coisa. Não percam o Museé D’Orsay, mesmo que as filas sejam desanimadoras. Percam o Champs Eliseé com força — lá só tem brasileiro mesmo. Quartier Latin é uma graceenha também. Passeando pelo rio Sena, procure pelo barco estacionado que tem uma cama em cima da cabine.
E não deixe de passar no supermercado. Se tem alguma coisa que os guias de viagem esqueceram de dizer foi isso.

O inverno tá chegando, natal tá horrores, já nevou, então por que não publicar as minhas fotos do início de novembro quando, de acordo com as pessoas ao meu redor, o outono TOTAL já tava quase indo embora?
Mais no meu Flickr.