
E ele é amarelo e vermelho como eu nunca vi antes.
Na sala de espera do oculista, um pouco mais de detalhe sobre algo que já tinham me contado a respeito da AMÉRICA:
“(…) while the G-spot and other fantasies have dissipated, the iconic U.S. Prime blowjob is still on a throne, and is also kneeling at the foot of that throne. It has become, in the words of a book on its technique, The Ultimate Kiss. And such a kiss on the first date is not now considered all that ‘fast.’ America was not the land of birth for this lavish caress, but it is (if I may mix my anthems) white with foam from sea to shining sea. In other cultures, a girl will do “that” only when she gets to know and like you. In this one, she will offer it as a baiser as she is making up her mind.” (Christopher Hinchens, para Vanity Fair de Julho de 2006)
Leia tudo aqui.
Vá a uma festa — qualquer uma à sua escolha;
Puxe conversa com alguém, isso se você conseguir chegar no lugar sem que ninguém puxe conversa com você primeiro;
Converse por 1 minuto;
Pergunte o nome da pessoa, e diga o seu;
Pergunte o que a pessoa faz da vida;
Responda o que você faz da vida;
Pergunte daonde o outro veio. Mencione que não é da cidade, que chegou agora (sei de gente que MENTE isso);
Depois de 5 minutos de conversa, dê o seu número de telefone, ou pegue um número de telefone (e-mail é menos comum);
Troquem mensagens de texto ou de e-mail nos próximos dias dizendo que seria legal tomar um café;
Marque um café;
Se não for legal, repita a operação do início. Se for legal, continue falando com essa pessoa e repetindo a operação do início.
Atenção: isso não renderá necessariamente amigos para sempre. É só o OI! TUDO BOM? daqui. As possibilidades de acabar tomando café com pessoas absolutamente malucas não foram suficientemente contempladas para esse estudo, dado o elevado grau de falta de noção da cientista envolvida. Acredito que, depois de uns 7 anos fazendo isso todos os dias, ou você vira a pessoa mais conhecida da cidade ou vai virar matéria da New Yorker por ser aquele maluco que fica se apresentando pras pessoas o tempo todo.
Muito tarde me dei conta que as pessoas não gostam de ser tocadas aqui. E eu que não entendia porque me olhavam com cara feia quando eu pedia desculpas por esbarrar em alguém no trem. Eu estava pedindo desculpas tocando no braço ou algo assim. Tsc.
Agora, para aqueles americanos que, ao contrário da maioria, QUEREM ser tocados, existem as Cuddle Parties. Não consigo pensar em uma boa tradução em português para “Cuddle”, mas significa algo como ficar enrolado no sofá com o namorado num sábado de tarde vendo filme. As cuddle parties seriam uma grande orgia de ficar enroscado em um monte de gente estranha de pijama comendo chocolate debaixo de cobertores.
Fazem 9 graus Celsius lá fora (ok, ok, 48 Fahrenheit), mas o pior é atravessar a rua onde tá ventando;
É tão seco que o frio não chega nos ossos, como parecia em Porto Alegre;
Meu nariz sangra um pouquinho todas as manhãs;
Levo vários choques todas os dias de maçanetas metálicas;
Comecei a usar meu casaco de inverno canadense;
Meu cabelo está sempre lindo;
Comprei Chap Stick sabor cereja;
Não páro um minuto de passar creme hidratante;
No meu apê o aquecimento é tão forte que eu andaria de calcinha pela casa se isso não deixasse os 2 texanos constrangidos;
Enfim, é outono em NY. Eu choro só tentando imaginar o inverno. Mas nunca vi neve, então será muito massa nos primeiros 15 minutos, e enquanto o meu nariz não congelar e cair.
Como perguntaram num comentário antes, eu achei que seria legal explicar melhor o que eu ando fazendo.
Antes de vir pra cá, lá por janeiro, me inscrevi na seleção para o curso de graduação em Fashion Photography no Fashion Institute of Technology - FIT. Não sabia ainda ao certo se eu iria me mudar pra cá, mas achei que valia a pena, já que a seleção acontece apenas uma vez por ano.
Eu já tenho uma graduação em fotografia (Artes Visuais com ênfase em fotografia, pela UFRGS). Me pergunta se eu sei fotografar legal com slide. Com médio formato. Em estúdio. É claro que não. Por isso achei que outra graduação (undergraduate, bachelor’s degree) em foto me permitiria adquirir conhecimentos específicos da área que eu gostaria de trabalhar, fazendo os cursos mais baratos e convivendo com pessoas que querem trabalhar com moda.
A seleção foi um saco. Tive que mandar fazer traduções juramentadas de vários documentos do colégio e da faculdade. Estive aqui em NY em março por uma semana, e praticamente CATEI um professor nos corredores da escola para que ele fizesse a avaliação obrigatória do meu trabalho. Consegui entregar tudo certinho. Quando cheguei aqui, descobri que fui reprovada por causa da falta de 2 carimbos nas traduções juramentadas, carimbos que a UFRGS deveria ter feito.
Aqui, quando te dizem que uma coisa é de um jeito, tu podes seguir perguntando até que alguém dê uma resposta satisfatória.
Chorei tanto que me passaram. Em seguida descobri que o curso ocupava 40 horas da semana, e que eu não poderia cursar menos créditos. Trabalhando seria muito impossível, desisti. E, em cima do laço pro início do semestre, busquei os departamentos de Continuing Education das faculdades que me interessavam.
Me matriculei em 4 cursos de continuing education; 2 no FIT e outros 2 na SVA - School of Visual Arts.
O bom desses departamentos é que tem cadeiras da faculdade oferecidas a pessoas que estão fora da graduação, por preços módicos, e em horários razoáveis para aqueles que trabalham 9-6. Em geral eles não contam como créditos na faculdade, caso o interesse seja tirar uma graduação mais tarde. Como esse nunca foi meu interesse, estou me divertindo horrores e gastando pouco. O FIT é meio bagunçado, mas os cursos lá são mais rápidos e baratos: 3 sábados seguidos cada um, manhã e tarde. Os cursos do SVA vão de setembro a dezembro, uma aula de 3 horas por semana para cada um dos cursos.

Enquanto ia até o Whitney Museum ontem, sexta-feira em que se podia pagar o que se desejasse, percebi mais uma certa diferença nas pessoas aqui em NYC.
Talvez seja um estereótipo Upper East Side/Upper West Side (as duas partes que ficam dos lados do Central Park, e que são cheias de gente rica. Tem diferenças entre as duas partes, mas eu não sei identificar), mas se vê muitas mulheres mais velhas. Algumas bem vestidas, outras nem tanto, muitas magras. Todas pareciam bastante independentes (indo ao supermercado sozinhas e carregando compras sem ajuda) e duronas. O que me impressionou é que várias não tingiam o cabelo; deixavam os grisalhos aparecerem e até meio que ostentavam isso. ARISTOCRÁTICAS, era a palavra que me faltava.
O que me lembra que vi no trem muitos caras GATOS aqui de uns 30 e tantos anos completamente grisalhos. Achei tão interessante.
Aiai. Hoje chove aqui, tá impossível de sair de casa, e por isso eu sigo blogando.