Eu preciso desabafar.
Eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino da minha academia (YMCA/ACM).
Na verdade, eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino de qualquer academia em que estive nos EUA*. E isso que só entrei em vestiário de academia pra botar maiô pra nadar e tomar banho. Esses vestiários femininos tinham umas cabines tipo provador de loja onde as mulheres se trocam. Um deles, inclusive, tinha mais cabines pra se trocar do que chuveiros. Então se, por exemplo, elas acabam de sair da piscina, elas se enrolam numa toalha, tiram tudo o que é possível sem deixar a toalha cair, entram na cabine, colocam roupa suficiente pra não serem consideradas nuas e saem pra terminar de se vestir. Tudo isso sem tomar banho direito nunca. Algumas, pra circular mais livremente, usam umas toalhas super elaboradas, costuradas em forma de vestido com alças.
E eu lá, me sentindo pelada num lugar público. Me recuso a entrar nas cabines porque acho ANTI-HIGIÊNICO (nenhum sentido) então aprendi me despir e me vestir a la Big Brother Brasil, mas sem o uso de cobertores, o que é muito mais ninja. Mas teve o dia em que eu tava distraída e acabei ficando pelada na frente de todo mundo no vestiário feminino sem me dar conta. Que vergonha. Meio parecido com aqueles sonhos em que tu te dá conta de que saiu pra trabalhar sem sapatos.
Enquanto isso, no vestiário masculino, me contam que os caras andam pelados OTEMPOTODO, sem o MENOR motivo.
Aiai.
* update depois do comentário do Wilson. Esqueci de mencionar que essa regra só se aplica nos vestiários dos EUA. No Brasil, as mulheres sempre foram e sempre serão peladas nos vestiários. Ninguém mandou beber e blogar.
* Pra não jogar o tupperware fora, é só botar o pote no freezer, congelar tudo, jogar tudo fora sem bichos voando na tua cara e lavar o tupperware. Como ainda estou na parte de congelar o pote, não sei se terei estômago para o resto da operação.
Inventei que queria pedalar até o trabalho hoje (= Brooklyn > Queens > Manhattan). Quando cheguei no Queens, o trânsito de caminhões e SUV’s era infernal, e eu peguei câncer de pulmão. Minha saia prendeu na roda de trás da bicicleta, eu tentei arrumar e caí com bicicleta e tudo no meio da rua. Meu joelho tá esfolado, minha saia rasgou, a parte interna da coxa tá inchada e dolorida e eu não consigo cruzar as pernas, meu pé que torce sempre torceu, um dos freios parou de funcionar e eu achei melhor voltar e deixar a bicicleta em casa e pegar o trem. Fazia mais de 15 anos que eu não botava um band-aid no joelho. Ainda por cima, eu não encontrei band-aids da Disney em casa ou na farmácia.
Estou no Maine, tirando umas férias curtinhas. O Maine é a Vacationland oficial, de acordo com o que as placas de trânsito do estado declaram; se no inverno o estado é relativamente vazio e frio, no verão as casas de veraneio enchem de gente que passam os dias tomando banho de lago, andando de lancha, caiaque, jet-ski e fazendo esportes de CAMPO. Maine = capital do acampamento de verão para jovens. E “cheio de gente” é relativo, pois não vi nenhuma Tramandaí acontecer.
Na quinta, meu primeiro dia aqui, choveu o dia inteiro e não fizemos nada. No fim do dia resolvemos catar um cinema e assistir ao Dark Knight de uma vez, que já tava ficando ridículo. Procurando pelo segundo cinema, já que o primeiro não tinha mais sessões, lá pelas 8 da noite encontramos muito por acaso um DRIVE-IN. No meio do nada, sem muita bandeira, construído toscamente no meio de um campo aberto entre as árvores. A sessão era Wall-e seguido de Dark Knight, e não tinha hora certa pra começar “porque é drive-in, sabe como é”. Estacionamos o carro de costas pra tela e sentamos no porta-malas, fazendo igual à família que estacionou na nossa frente e jogava bola enquanto o filme não começava.
Muita emoção esperando anoitecer pro filme começar de uma vez. Apesar de toda a comida da janta (cachorro-quente na grelha, u-hu), compramos pipoca e REFRIGERANTE e tocamos o horror anos 60. O som do filme era transmitido por FM, mas os donos do local não tiraram os postes com cestinhas que guardavam as caixas de som que deveriam ser acopladas no carro, o que ganhou o nosso respeito. Lá pelas tantas Wall-e começou e foi a animação mais excelente que já vi, obviamente.
Entre Wall-e e Dark Knight rolou um intervalo de 10 minutos FANTÁSTICO animado pelos vídeos de intermission time de épocas em que drive-ins eram comuns. Entre “go to the church every week - exercise your freedom to worship at your desire” e “get SOFT DRINKS at our refreshment center NOW”, um coutdown bizarro rolava pras pessoas se acomodarem logo pro próximo filme. Algo que só podia acontecer num drive-in antigo cujos únicos funcionários são o dono e sua mulher, ou a dona e seu marido.
Saímos de lá à 1 da manhã. Dark Knight é longo, mas nada mau — pena que tem tanta coisa acontecendo que eu não consegui prestar atenção em todos os meus atores favoritos menos Johnny Depp atuando no mesmo filme. Preferi Wall-e. Até agora eu acho que sonhei que estive nesse lugar.
Caso esteja pela região durante o verão, passe lá.

Achei no chão na frente da minha casa, tirei uma foto e fui embora sem fazer nada. Quando voltei, duas horas mais tarde, ainda tava no mesmo lugar. Fiquei com medo que o simples ato de pegar e entregar pra algum policial (tinha vários a uma quadra dali) fosse considerado posse ou sei lá o quê. Mas me arrependi depois de não ter jogado no lixo, vai que alguma criança encontra.
Quando a gente chegou na FESTA DO BIGODE ontem já eram 2 da manhã. Eu nem sei direito como fiquei sabendo dessa festa, tirando que veio num e-mail de uma lista de discussão do Yahoo! chamada Deep Dish Cabaret, e eu não faço idéia porquê assinei aquilo. De acordo com o e-mail, todo mundo na festa tinha que usar bigode, e bigodes falsos estariam à venda. Bigode aqui é uma coisa extremamente consumo irônico pelos JOVENS HIPSTERS, que ostentam grossos bigodes com as pontinhas pra cima, o que eu acho meio cansativo às vezes, consumo irônico demais, mas a Taís achou que seria divertido. Enfim, quando chegamos lá não tinha ninguém, mas a janela estava com as cortinas abertas e as luzes acesas, e tinha uma ceva na frente da casa. O que a Taís não viu porque não alcançou é que tinha um cara DESMAIADO DE MEIAS no chão, e um gato dando banda em volta. Bigode? Não consegui ver. Que tipo de festa do bigode acaba antes das 2 da manhã anyway?