Eu preciso desabafar.
Eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino da minha academia (YMCA/ACM).
Na verdade, eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino de qualquer academia em que estive nos EUA*. E isso que só entrei em vestiário de academia pra botar maiô pra nadar e tomar banho. Esses vestiários femininos tinham umas cabines tipo provador de loja onde as mulheres se trocam. Um deles, inclusive, tinha mais cabines pra se trocar do que chuveiros. Então se, por exemplo, elas acabam de sair da piscina, elas se enrolam numa toalha, tiram tudo o que é possível sem deixar a toalha cair, entram na cabine, colocam roupa suficiente pra não serem consideradas nuas e saem pra terminar de se vestir. Tudo isso sem tomar banho direito nunca. Algumas, pra circular mais livremente, usam umas toalhas super elaboradas, costuradas em forma de vestido com alças.
E eu lá, me sentindo pelada num lugar público. Me recuso a entrar nas cabines porque acho ANTI-HIGIÊNICO (nenhum sentido) então aprendi me despir e me vestir a la Big Brother Brasil, mas sem o uso de cobertores, o que é muito mais ninja. Mas teve o dia em que eu tava distraída e acabei ficando pelada na frente de todo mundo no vestiário feminino sem me dar conta. Que vergonha. Meio parecido com aqueles sonhos em que tu te dá conta de que saiu pra trabalhar sem sapatos.
Enquanto isso, no vestiário masculino, me contam que os caras andam pelados OTEMPOTODO, sem o MENOR motivo.
Aiai.
* update depois do comentário do Wilson. Esqueci de mencionar que essa regra só se aplica nos vestiários dos EUA. No Brasil, as mulheres sempre foram e sempre serão peladas nos vestiários. Ninguém mandou beber e blogar.
O inverno tá chegando, natal tá horrores, já nevou, então por que não publicar as minhas fotos do início de novembro quando, de acordo com as pessoas ao meu redor, o outono TOTAL já tava quase indo embora?
Mais no meu Flickr.

Apaixonei. Talvez dê tudo errado, mas O QUE IMPORTA é ter um presidente que SABE FALAR.
Estou assistindo as Olimpíadas horrores, especialmente natação. Nada como uma piscina olímpica ao ar livre bem fresca numa noite de luar. Fico toda emocionada quando o Phelps ganha alguma coisa por uma unha. Acho a Dana Torres incrível. Quando desconfio que estou torcendo pros EUA, vejo o Brasil ganhar a primeira medalha de ouro na natação e festejar horrores e me dá uma alegria, e eu quase penso que existe algum patriotismo nesse corpinho. Ou suscetibilidade a propaganda. Afinal, só assim faz sentido eu me vender tão fácil só porque a edição americana das Olimpíadas liga o som da torcida ou da conversa entre treinador e atleta só na hora da performance dos EUA.
Ou isso, ou vai ver eu apenas adoro ver coisas bonitas e gente ganhando e ficando feliz com isso — o que não é exatamente a regra.
P.S.: esse post defensivo só faz sentido se eu contar que, pra não morrer antes da hora, eu faço hidroginástica, ando de bicicleta lerdinha e caminho ao invés de correr porque MORRO de preguiça de esportes. E dizer que eu pratico essas 3 modalidades quer dizer que eu pratico cada uma delas uma vez a cada duas semanas, mais ou menos.
Brasileiros que gostam de misturar um inglês no meio do seu português falam palavrão pra cacete. MESMO. Só americano DAS GROTA fala tanto f*cking isso, f*cking aquilo. E pior é que escrevem esses palavrões, fazendo a soma final de palavrões em inglês ser muito maior do que a soma de palavrões em português. Será que é porque, em outra língua, não soa tão forte quanto é na realidade?
Não quero ser injusta, eu não sabia disso antes e falava uns palavrões descabidos. Até uma amiga dizer que era melhor eu não dizer algo como f*ck buddy em nenhuma conversa com ninguém, basicamente. Não cairia bem NUNCA.

Esse findi foi prolongado aqui nos EUA por conta do Memorial Day, um feriado para lembrar os soldados mortos em guerras. Eu imaginava que o lance seria meio como o dia de finados no Brasil, mas é bem mais festivo; pessoal sai em desfile tocando músicas pelas ruas, e na rua do lado da minha casa teve um desses desfiles, com direito a banda militar, banda escocesa de saias tocando gaita de fole e um grupo de motociclistas. No final do desfile, foi todo mundo encher a cara de cachorro-quente e cerveja numa igreja aqui perto. Bem legal.
In other news, comprei uma bicicleta lilás. Preparem-se, pois não falarei de mais nada além da bicicleta por pelo menos um mês. Isso é melhor do que falar do quanto eu tenho sofrido pra retocar as raízes do meu cabelo para ficarem LOEERAS.

Fui no dentista hoje. É a primeira vez que vou nos EUA, e, apesar de ser mestre na arte de escovar os dentes, eu detesto fio dental, então achava que tava na hora de checar se estava tudo ok.
Primeiro a assistente da dentista tirou uns raio-X digitais de TODOS os meus dentes. Achei aquilo legal, apesar de que ela já me saiu recomendando coisas baseada na experiência pessoal dela. A dentista chegou em seguida, olhou meus dentes e concluiu que eles estavam perfeitos, sem cáries nem nada, e que ela só faria uma limpeza de rotina. Perguntei se poderia dar uma olhada nesse ou naquele dente pra ver se estava tudo bem, e foi só.
Mas quando ela estava terminando o serviço, perguntou se eu já tinha branqueado os dentes. Eu disse que sim, uma vez, quando trabalhei no site do Listerine Whitening Strips e me deram uma tirinha para experimentar, e ela basicamente só serviu para queimar as minhas gengivas. Eu não acho que preciso de branqueamento, meus dentes estão da cor dos meus ossos, nem mais claros, nem mais escuros. Mas ela disse que a cor poderia ficar um pouquinho mais branca se eu fizesse esse tratamento no consultório, o que custaria mais de mil dólares por sessão.
Eu pensei, que desaforo, que coisa de americano isso de dentista, que deveria ser um cara em cujo critério médico eu confio para cuidar da minha saúde, fazer recomendações como se eu estivesse num episódio do Queer Eye for the Straight Guy. Mas daí pensei um pouco mais no assunto e me lembrei de quando usei aparelho.
Eu usei aparelho por CINCO anos na adolescência. Três deles foram considerados completamente inúteis, pois Emílio, o ortodontista, de acordo com os outros ortodontistas, estava apenas enrolando o tratamento pra ganhar dinheiro. Recomecei o uso de aparelho com outro dentista, do zero, e esse terminou em 2 anos. Ao final, eu adquiri um clique na mandíbula recorrente do uso de aparelho e tinha dores de cabeça todos os dias. Meu ortodontista disse que não tinha como resolver sozinho, que era bom eu não ficar ABRINDO MUITO A BOCA que senão minha mandíbula iria CAIR, e me mandou pra outro cara, que fez uns ajustes e, apesar de não ter perdido o clique, pelo menos as dores pararam. O mesmo ortodontista me disse, sem que eu perguntasse, que a minha cara ficaria perfeita se eu fizesse plástica no queixo e no nariz.
Meus dentistas foram os caras que me ensinaram como odontologia é uma arte delicada: horas e horas escutando fascinada sobre como os caninos são os dentes que mandam na arcada inteira, e, se eles saem do lugar, todo o resto sai também, e como o bruxismo é a provável causa de todos os males. Agora, por que essa gente não se preocupa um pouco mais em estudar como se desentorta um dente sem me entortar a cara inteira, e menos com meu$ dente$ cujo branco não é perfeitamente azulado? Porque, sério, tá parecendo que odontologia será ensinada no SENAC do lado do curso de manicure.
Jack Nicholson aparentemente aprovou essa mensagem bizarra de apoio a Hillary Clinton. NENHUM SENTIDO.

Esses dias eu estava numa mesa com duas americanas que noivaram fazem alguns meses. Eu estava presente na manhã em que uma delas comunicou a deus e ao mundo que estava noiva, e acho que é algo que vai habitar meus pesadelos pro resto da vida.
Ela simplesmente sacudiu a mão esquerda na cara de todas os presentes, dizendo em seguida “estou noiva”. O anular ostentava um anel de noivado com o maior diamante que eu já vi na minha vida, e cravejado de diamantes em volta do anel. Era HORROROSO, completamente diferente das modernas e sóbrias alianças de casamento em ouro branco, tungstênio e prata que eu vi nos dedos de outras pessoas. Eu não entendo tanta ostentação. DAVA PRA COMPRAR 50 IPHONES COM O DINHEIRO, PORR. Eu vi ela sacudindo a mãozinha pras pessoas muitas vezes naquela semana depois, mas confesso que ainda não sei como é a cara do noivo.
Eu perguntei pros meus pais naquela semana sobre como é que acontecem essas coisas no Brasil quando se casa na igreja. Eu não tenho muitas outras referências além dos meus pais, pois os meus amigos brasileiros entre 25 e 35 anos, diferentemente dos americanos, levam morar junto bastante a sério, e consideram isso casamento suficiente. Eles confirmaram a minha suspeita de que no Brasil se oferece o anel de casamento na hora do noivado (alguém confirma isso?), mas esse é usado na mão direita. Depois do casamento, ele é usado na mão esquerda. Considero esse costume bem mais interessante.
Eles também me contaram que existia esse papo de anel de noivado no Brasil também, em outros tempos, mas que isso provavelmente ficou meio salgado. Em outra nota, soube que os adolescentes de hoje andam adotando a tal aliança de compromisso, razoavelmente barata mas suficiente para dizer “ei, essa já tem dono.”
Aqui, pelo que entendi, as mulheres FAREJAM quando serão pedidas em casamento, e, como quem não quer nada, olham anéis de noivado e apontam os que gostam mais, já que a regra diz que homens em geral não sabem comprar jóias. Eles compram o anel e se ajoelham na frente da mulher e coisetal. Depois disso, quando se aproxima a data da cerimônia, eles compram as alianças juntos. Depois do casamento, a mulher usa o anel de noivado e o de casamento no mesmo dedo ao mesmo tempo. Em alguns casos, o anel de casamento da mulher também é cravejado de diamantes. Junte isso ao anel de 25 anos de casamento que o marido tem que dar à mulher, o que torna a coisa toda um festival de brilho e purpurina.
Mas, voltando às duas noivas alguns dias atrás: sabe quando tu quase fala alguma coisa sem pensar, daí tu pensa, e daí tu te dá conta da baita merda que tu ia falar? Pois então. Eu quase disse: “NOOOOOSSA, vocês estão usando anéis de noivado i-gual-zi-nhos!” Mas o pior é que eu ia completar com algo do tipo “ah, mas ok, o dela tem menos diamantes.”
Update: mais sobre a mania de BLING dessa gente em ótima matéria da Slate.