Eu preciso desabafar.
Eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino da minha academia (YMCA/ACM).
Na verdade, eu sou a única pessoa que eu já vi ficar completamente pelada na frente dos outros no vestiário feminino de qualquer academia em que estive nos EUA*. E isso que só entrei em vestiário de academia pra botar maiô pra nadar e tomar banho. Esses vestiários femininos tinham umas cabines tipo provador de loja onde as mulheres se trocam. Um deles, inclusive, tinha mais cabines pra se trocar do que chuveiros. Então se, por exemplo, elas acabam de sair da piscina, elas se enrolam numa toalha, tiram tudo o que é possível sem deixar a toalha cair, entram na cabine, colocam roupa suficiente pra não serem consideradas nuas e saem pra terminar de se vestir. Tudo isso sem tomar banho direito nunca. Algumas, pra circular mais livremente, usam umas toalhas super elaboradas, costuradas em forma de vestido com alças.
E eu lá, me sentindo pelada num lugar público. Me recuso a entrar nas cabines porque acho ANTI-HIGIÊNICO (nenhum sentido) então aprendi me despir e me vestir a la Big Brother Brasil, mas sem o uso de cobertores, o que é muito mais ninja. Mas teve o dia em que eu tava distraída e acabei ficando pelada na frente de todo mundo no vestiário feminino sem me dar conta. Que vergonha. Meio parecido com aqueles sonhos em que tu te dá conta de que saiu pra trabalhar sem sapatos.
Enquanto isso, no vestiário masculino, me contam que os caras andam pelados OTEMPOTODO, sem o MENOR motivo.
Aiai.
* update depois do comentário do Wilson. Esqueci de mencionar que essa regra só se aplica nos vestiários dos EUA. No Brasil, as mulheres sempre foram e sempre serão peladas nos vestiários. Ninguém mandou beber e blogar.
No domingo comprei feijão pra fazer feijão e inaugurar a minha panela de pressão. Ao ler as instruções da receita de feijão preto básico, percebi que feijão não ia rolar no almoço nem na janta, pois precisava deixar umas 8 horas de molho antes de cozinhar. Ok, pensei, deixo de molho hoje de noite e cozinho amanhã de noite, que mal fará umas horinhas a mais na água?
No dia seguinte, segunda-feira, o mundo caiu. Perdi o freelancer que tava me ajudando, fiquei com 10 projetos na mão ao mesmo tempo e trabalhei o dia inteiro até meia-noite, quando desmaiei na cama sem terminar o que tinha pra fazer. E os feijões ficaram no mesmo lugar. E eu pensei, ah, deve estar tudo bem lá naquela panela, poderei cozinhar amanhã certo.
E hoje de noite, terça, terminei o que eu tinha pra fazer às 19:30. Cheguei em casa tri feliz pensando em matar o Pilates pra fazer um feijão. COAL NÃO FOE A MEENHA SORPRESA quando abri a panela de pressão onde os feijões estavam de molho e dei de cara com UM MONTE DE BEBÊS FEIJÕES.
Eu mato 50% das plantas que compro, mas consigo germinar feijões suficientes pra matar a fome na África.
Eu mato um aquário inteiro de fome, mas consigo desenvolver um ecossistema de vermezinhos e insetos usando apenas um biscoito e um pote tupperware.
Eu pego infecção bacteriana como quem troca de roupa, mas consigo criar penincilinas incríveis usando somente louça suja.
Nunca tem cerveja na geladeira porque eu tomo tudo, mas tem álcool suficiente pra embebedar um pônei se contar as maçãs.
Sou muito Magaiver mesmo.
Hoje eu tirei o tupperware do freezer, 3 dias depois. Joguei todas as larvas, biscoitos e vespinhas congelados no lixo e botei o tupperware na pia pra lavar. Quando a caca que tava grudada no pote começou a virar nhaca com a água quente, eu vi que não poderia continuar e joguei o pote fora logo de uma vez, me arrependendo mil vezes da minha ingenuidade em achar que A NATUREZA me deixaria recuperar meu pote tupperware.
Inventei que queria pedalar até o trabalho hoje (= Brooklyn > Queens > Manhattan). Quando cheguei no Queens, o trânsito de caminhões e SUV’s era infernal, e eu peguei câncer de pulmão. Minha saia prendeu na roda de trás da bicicleta, eu tentei arrumar e caí com bicicleta e tudo no meio da rua. Meu joelho tá esfolado, minha saia rasgou, a parte interna da coxa tá inchada e dolorida e eu não consigo cruzar as pernas, meu pé que torce sempre torceu, um dos freios parou de funcionar e eu achei melhor voltar e deixar a bicicleta em casa e pegar o trem. Fazia mais de 15 anos que eu não botava um band-aid no joelho. Ainda por cima, eu não encontrei band-aids da Disney em casa ou na farmácia.
Estou assistindo as Olimpíadas horrores, especialmente natação. Nada como uma piscina olímpica ao ar livre bem fresca numa noite de luar. Fico toda emocionada quando o Phelps ganha alguma coisa por uma unha. Acho a Dana Torres incrível. Quando desconfio que estou torcendo pros EUA, vejo o Brasil ganhar a primeira medalha de ouro na natação e festejar horrores e me dá uma alegria, e eu quase penso que existe algum patriotismo nesse corpinho. Ou suscetibilidade a propaganda. Afinal, só assim faz sentido eu me vender tão fácil só porque a edição americana das Olimpíadas liga o som da torcida ou da conversa entre treinador e atleta só na hora da performance dos EUA.
Ou isso, ou vai ver eu apenas adoro ver coisas bonitas e gente ganhando e ficando feliz com isso — o que não é exatamente a regra.
P.S.: esse post defensivo só faz sentido se eu contar que, pra não morrer antes da hora, eu faço hidroginástica, ando de bicicleta lerdinha e caminho ao invés de correr porque MORRO de preguiça de esportes. E dizer que eu pratico essas 3 modalidades quer dizer que eu pratico cada uma delas uma vez a cada duas semanas, mais ou menos.

Esse findi foi prolongado aqui nos EUA por conta do Memorial Day, um feriado para lembrar os soldados mortos em guerras. Eu imaginava que o lance seria meio como o dia de finados no Brasil, mas é bem mais festivo; pessoal sai em desfile tocando músicas pelas ruas, e na rua do lado da minha casa teve um desses desfiles, com direito a banda militar, banda escocesa de saias tocando gaita de fole e um grupo de motociclistas. No final do desfile, foi todo mundo encher a cara de cachorro-quente e cerveja numa igreja aqui perto. Bem legal.
In other news, comprei uma bicicleta lilás. Preparem-se, pois não falarei de mais nada além da bicicleta por pelo menos um mês. Isso é melhor do que falar do quanto eu tenho sofrido pra retocar as raízes do meu cabelo para ficarem LOEERAS.

Estou matriculada desde janeiro na YMCA (it’s fun to stay at the YYYYYYY, MM, CC, AAA-AH!) aqui perto de casa porque precisava dar um jeito no meu traseiro gordo. A coisa interessante da maioria das academias por aqui é que tu paga uma taxa fixa pra usar quase todos os recursos disponíveis: piscina, academia e qualquer aula de qualquer coisa. Achei isso ótimo e pela primeira vez na minha vida encontrei a minha verdadeira vocação esportiva: ficar pulando de aula em aula sem seguir NENHUMA em específico, desde que faça exercícios 3 vezes por semana. Essa vocação, é claro, vem depois da natação, que só não pratico mais porque simplesmente não existem piscinas maiores do que banheiras nessa cidade.
Por conta disso, em 3 meses experimentei tudo o que nunca tinha feito antes: pilates, tai chi, karate, dança do ventre, vários tipos de yoga. Achei todos o máximo, desde que não tenha que me comprometer com nenhum deles 3x/semana por 3 meses.
Mas eu queria era falar de yoga. Tenho que tomar muito cuidado ao falar sobre isso porque conheço um monte de gente sensacional que dá aula de yoga, então, tenham paciência comigo porque, pra todos os efeitos, eu não sei do que estou falando.
Mas olha só. Yoga originou de uma prática espiritual indiana, que abraça aspectos físicos e religiosos e tem um montão de filosofia e fé e história por trás que não dá nem pra começar a contar. Uma das yogas, a das posições e coisetal, foi importada para o ocidente como exercício físico, que as pessoas usam pra ficarem saudáveis, creio que como qualquer esporte. Mas daí tu vai na aula de Yoga (pelo menos com os 4 ou 5 professores com quem tive aula na minha vida) e o instrutor começa a filosofar na tua cabeça.
Hoje, por exemplo, fomos instruídos a dedicar a nossa prática de Yoga a uma pessoa em especial. Fechar os olhos e pensar naquela pessoa — o que eu não entendi. Depois, a cada momento em que ela via alguém (eu mais que qualquer um) se desequilibrar ou sair da posição por cansaço, ela dizia que não tinha problema, que não deveríamos desistir ou nos sentir frustrados, que deveríamos nos perdoar a nós mesmos, que tudo era um caminho, etc ad infinitum. No final da aula, relaxamento, todo mundo deitado no chão de olho fechado no escuro imaginando um rio correndo e levando todos os nossos pensamentos embora — ou algo assim.
Uma coisa é tu me dizer pra eu me concentrar no que eu tou fazendo, pura e simplesmente. Outra é achar que eu vou cair em revelação divina a qualquer momento no meio de uma academia como se eu tivesse nascido na ÍNDIA. Minha teoria é que, se é pra MacDonaldizar o lance, vai até o fim, chama de ESPORTE de uma vez. Larga dos objetivos espirituais porque o objetivo principal de qualquer pessoa que começa uma academia é um e apenas um: que a minha, a sua, a nossa bunda não caia. ESTODOS foram feitos provando que yoga melhora a auto-estima tanto quanto qualquer outro exercício. Não esqueça: auto-estima = bunda.
Mas tudo bem, pois as chances de que eu não tenha entendido são de 100%. Prometo parar de ir nas aulas e permear a atmosfera com energia RUIM e posições como A ÁRVORE DERRUBADA PELO KATRINA ao invés da saudação ao sol.
A comunidade de information architecture tem uma coisa muito espertucha e massa de reconhecer o poder do marketing envolvido no compartilhamento de informações: a GRANDE maioria do que existe sobre IA está disponível online e de graça, espalhado por blogs e comunidades. Se alguém consegue encontrar a minha apresentação/deliverable/teoria, ela será reconhecida e eu terei muito mais trabalho/dinheiro/prestígio.
Por causa disso a IA Summit, evento de arquitetura de informação que acontece todo ano nos EUA, teve grande profusão de informação, mas a sensação que eu tive foi de que tudo aquilo já estava na internet em algum lugar — mas provavelmente eu não me prestaria a ler porque sei lá. Foi bom assistir ao vivo, especialmente palestras de gente como Eric Reiss, com patos de borracha sendo jogados na tela do datashow, Peter Morville, considerado o grande criador da disciplina de IA, Leah Buley, que eu nem conhecia mas que fez todo mundo ficar feliz. E isso tudo está ou estará disponível online em forma de podcasts, PDFs e slideshares
Junte tudo isso a muitas pessoas de áreas acadêmicas e de trabalho sendo simpáticas muito além da média pra falar com muitos estranhos e o que temos é um clima massa, agradável. O milhão e meio de brasileiros que apareceram foi uma surpresa boa; e eu não esperava que metade deles estivesse morando fora do Brasil.
Hm, que vontade de criar outro blog só pra falar de IA e coisas geek. Mas, ach, eu mal atualizo esse.