Finalmente coloquei aquelas fotos no ar nas Fotógrafas Super Sexies, depois de dois anos sem publicar nada por lá. Fiz esse ensaio com Rachel Jean, atriz/modelo, com ajuda de Jitka Kluglova, que fez o make-up.
Hope you like it!
Eu sempre quis ser poser. Heh. Mas juro que esse não foi um desses momentos, eu tava posando só para testarmos a luz dos kino flos (a melhor luz de todos os tempos) na aula de fotografia. Você já aproveita e vê noventa fotos de como eu pareço enquanto ser loiro.

Por falar nisso, preciso defender as loiras aqui: se eu escutar mais uma vez “Sabrina, percebo que teu QI baixou essa semana” eu vou sorrir amarelo e chorar. Porque, por favor, essa gente precisa contratar uns comediantes mais criativos pra escreverem as piadzinhas de loeera, né? Depois sou eu a burra.
Agora dá licença que eu vou ali compôr umas canções e pintar um quadro enorme pop art dessas fotos e pendurar em cima da lareira.
Passeando pela Vieux Montréal, vi uma vitrine de uma livraria meio incomum: não havia best sellers nem nada que eu conhecesse, mas apenas livros de moda e fotografia, coleções estilo Taschen. Achei muito lindo e interessante e entrei. Librissime era o nome do lugar. Logo na porta há um quadro negro com uma frase de Groucho Marx: “I find television very educating. Every time somebody turns on the set, I go into the other room and read a book”.

Mas, naquela loja, aquela frase estava carregada de uma ironia não intencional, pois era basicamente uma loja de coffee table books — uma categoria de livros criada para os arquitetos da Casa Cor enfeitarem as salas que eles criam e dar um toque meio lifestyle pra coisa toda. Ou seja, você não compra um coffee table book porque ele tem uma ótima seleção de fotografias daquele cara que você adora; na verdade, você ganha um coffee table book de presente de alguém para deixar em cima da mesinha de centro da sala pras visitas olharem enquanto você abre o vinho. Ok, esses livros na real são bem legais, e eu tenho um monte deles. O que me deixou cheia de mixed feelings é existir uma loja disso.
Os livros que não eram de fotografia eram edições decorativas caríssimas de grandes obras de literatura, como a Divina Comédia em três volumes com capa de madeira aí embaixo: tipos, quem é que compra isso por 5 ou 10 mil dólares porque quer LER? Os de fotografia não eram muito caros, mas encorajava-se que o cliente comprasse uma caixa de papelão bonitinha de $300 que vinha com quatro livros à escolha entre uns 30 títulos daquela coleção.


Como em qualquer loja de estilista famoso no Soho, a loja tinha uns sofás antiguinhos que não serviam para as pessoas sentarem, mas sim para exibir os livros displicentemente jogados. Nas prateleiras não tinham muitos, mas eles eram organizados pela cor da lombada. Pra falar a verdade, se tirassem os livros de lá, eu diria que a mobília toda era destinada a uma loja de roupas, não a uma livraria.

O pior de tudo é que o site consegue ter ainda menos conteúdo: não tem nem a porra do endereço lá. Por favor, me digam se estou exagerando ou se isso é mesmo hediondo.

Fiquei meses sem receber a W Magazine, e acho que era porque sempre tinha alguém me surrupiando as revistas antes que chegassem pra mim — o que é meio ridículo, já que a assinatura anual custa apenas uns US$14. Mas, finalmente recebendo essa última edição de Setembro (sim, elas saem antes) eu entendi porque não encontrava mais as revistas. A W é foda mesmo, melhores fotógrafos. A foto aí em cima foi feita por Mert Alas e Marcus Piggot, que eu não conheço, mas já aprendi que qualquer coisa cujo styling tenha sido feito pelo Alex White é boa. O editorial inteiro tá aqui.
E já que o lance parece ser luzinhas coloridas pastel, aproveita pra olhar essas fotos aqui do Mario Sorrenti, que aparecem na mesma edição:
Esqueci de avisar antes, mas o Suicide Girls publicou um ensaio fotográfico que fiz da Fergs, onde ela ensina os gringos a fazer uma caipirinha. Fiquei bastante feliz com o resultado, e atribuo isso mais à Fergs, que estava em CHAMAS naquele dia, e à maquiagem e cabelo da Fernanda Brum do que ao flash on camera que substituiu o sol que fez falta naquele dia. Pra ver o ensaio completo, é necessário cadastrar-se, o que custa US$4 a US$8 por mês. Se rolar, publico mais umas fotos aqui, mas não esperem ver sem pagar o mais NU e HOT que a Fergs tem a oferecer ![]()
Ele, que é um dos mais bem sucedidos fotógrafos de moda da atualidade, finalmente lançou um site. Horrível, mas um site, e cheio de figurinhas.
Não esperava que fosse gostar tanto dessa exposição. Vik Muniz é fotógrafo famoso pela reprodução feita com calda de chocolate da Monalisa de Da Vinci, e por outras reproduções de pinturas consagradas na história da arte feitas com, lixo, confete, fio de metal, folha seca. É engraçado e tal, mas pra mim pára por aí. O humor dele fica mais interessante em obras que também brincam com a noção de cópia da cópia, como as nuvens desenhadas no céu em fotografias e os Earthworks — fotografias aéreas de desenhos gigantescos de pegadas, uma tomada ou um cachimbo em terrenos limpos.
Mas a parte que me impressionou de verdade foi The Weimar File, uma sala pequena e escura, iluminada somente por uma lâmpada pequena, e coberta de fotografias preto e branco do teto ao chão. Todas as fotografias parecem documentos forenses ou de espionagem ou de vigilância do governo; fotos tecnicamente ruins e sem muita composição de grupos de algumas pessoas com rostos apagados, objetos meio aleatórios com uma mão apontando pra eles ou uma moeda ao lado, documentos, lugares estranhos. Uma voz gravada relata como essas fotografias foram encontradas, o que se supõe que elas sejam e quem fotografou, e qual foi a repercussão da publicação delas num livro. Minha supresa, ainda que pareça meio ingênua, é que todas as fotografias foram produzidas por Muniz. Tá, parece fácil adivinhar isso sabendo que as fotografias estão num espaço artístico, mas as imagens eram realmente convincentes. Mesmo depois que me dei conta, quis ficar horas dentro da sala sendo enganada. Como quando escuto qualquer história. Uma boa história é o que importa, não é?
Vik Muniz tem um ótimo site com boa parte do trabalho dele disponível na parte de galerias. Vale a pena.

Foto do balaio de slides da Junk, um mercado de pulgas meio descolê que fica em Williamsburg, Brooklyn. É divertidíssimo ficar olhando as fotografias aleatórias de gente que eu não conheço e tentar inventar histórias. E quando eu falo aleatória é sério mesmo: é possível encontrar da fotografia de moda mais profissional feita nos anos 80 à foto de um corredor vazio desfocado, passando por todo tipo de retrato de qualquer época.
Vale avisar que eu nunca fui num show de punk-rock, mas imagino que seja igualzinho ao punk cigano performático do Gogol Bordello que vi no Irving Plaza ontem. Abaixo uma foto do momento em que o ucraniano Eugene Hutz sobe com uma fã num tambor enorme segurado pela platéia acima de suas cabeças (não, ele não tá no palco). Quando tocaram Start Wearing Purple, eu pensei que alguém ia morrer.
O sotaque ucraniano é fake, o membro “latino” do grupo usando uma camiseta do Chapolin é fake, a “ciganice” nasceu e mora há anos em Lower East Side*. Mas é MUITO divertido.

* As pessoas aqui são de um bairro como no resto do mundo seriam de uma cidade. Quem mora em Lower East Side não sai muito de lá.
Desde exatamente o dia de Thanksgiving (23 de novembro), as rádios e as lojas não páram de tocar músicas de Natal. Conforme se aproxima o grande dia, os trens ficam cada vez mais apertados — por causa das sacolas. Achava que era exagero tanto Natal assim, mas minha curiosidade antropológica foi despertada depois de ter mais de 10 compromissos cancelados só essa semana porque estão todos muito ocupados nas lojas, nas ruas, bebendo eggnog na festa da firma e trepados em pinheiros pendurando bolinhas de vidro na cidade mais natalina do mundo.
Se eu achava que o pessoal ficava louco nessa época em Porto Alegre, eu não tinha visto nem a metade.

Então fui passear um pouquinho por esses dias nos lugares neoiorquinos mais famosos nessa época. Comecei em Midtown, em Bryant Park, que fica perto da Times Square. Lá, resolvi que a melhor idéia seria fotografar todos os pinheiros enfeitados de mais de 5 metros que me cruzassem o caminho.
Em Bryant Park tem também uma feirinha de artesanato linda e cara, e uma pista de patinação no gelo onde estreei minhas primeiras escorregadas esses dias. Natal com INVERNO é outra história.
Depois do parque, segui pela 5a. avenida, famosa por ser uma das ruas mais caras do mundo. Uma ou duas quadras depois, apareceu esse prédio cheio de flocos de neve.

Quando olhei pro lado, uma música natalina cheia de suspense começou a tocar. Uma trilha incidental dramática que acompanha o drama de um tio está enfrentando uma fila pra comprar pro sobrinho um aviãozinho de controle remoto que também anda na água, enquanto sua esposa liga dizendo que vai jogar a janta pela janela se ele não voltar logo. Os flocos de neve começam a piscar. Isso chama a atenção do povo, que tira FOTOS dos flocos piscantes (nenhum sentido). A música se intensifica, e inconscientemente apressei o passo.
Mas não antes de tirar uma foto da árvore do prédio da frente, o Rockefeller Center:

E nem andei uma quadra até achar a Cartier enrolada pra presente:

E aqueles sininhos que eu ouvia O TEMPO TODO na rua? Era o pessoal da Salvation Army ocupando todas as esquinas, claro:

No horizonte tinha uma coisa brilhante azul pendurada no meio da rua, metros acima de onde os carros passavam. Andando e andando, encontrei o floco de neve gigante perto do Central Park:

E, acho que do lado:

E nas vitrines:

Mais 2 ruas até o Central Park pra ver se tinha alguma árvore de Natal lá pra fechar a minha missão. Vi a loja da Apple:

E nada de árvore de Natal. Só uma Menorá super muderna:

(No cartaz do lado lê-se “I am a city child, I live at The Plaza — hotel rooms starting from 1.5 million”)
No Brasil eu não faço a menor idéia de que Chanuká existe na mesma época que o Natal. Em NY, naturalmente, é mais óbvio. Falhei em tirar fotos dos judeus perguntando para as pessoas na rua se elas são judias. Mas falhei também em averiguar o que se segue se a resposta é sim.
O Natal é mesmo uma coisa, um espírito contagiante, não é mesmo, minha gente? Torrei o saco, peguei o metrô e fui pra casa. Sem uma sacola nas mãos. E sem ter visto UM Papai Noel sequer (?!).
