
Vou ignorar que ainda tem um post de 2008 na capa do blog, ok?
Fui pro Brasil de última hora nesse natal pra fazer um intervalo de sauna e calor nessa minha fria existência de -7 graus Celsius todos os dias. Eu achava que, a essa altura, voltar para o Brasil não traria mais novidades em termos de choques culturais. Mas eu não contava que o Brasil começaria a mudar. Ou mudou sempre, só eu que não percebia antes.
Me chocou ler publicações gaúchas com muitos muitos muitos anglicismos. Reconheço que muitas vezes isso acontece porque determinadas expressões do inglês não têm bons equivalentes em português. E aparentemente as pessoas estão usando essas expressões sem se dar conta. Fora o uso incorreto de REALIZAR, não vejo nada de errado, só acho curioso. E como estou mais acostumada com essas expressões em inglês, sempre fica aquele eco de tradução de roteiro de call center.
(O que me lembra que, em algum momento de 2009, perdi muito as esperanças de falar e escrever em inglês como uma nativa. Não que meu inglês seja ruim; americanos elogiam e estrangeiros acham que sou americana, mas é impossível enganar todos o tempo todo. Sempre acabo usando uma expressão que sai meio estranha porque foi traduzida de outra língua, ou não uso expressões em inglês complicadas em quantidade suficiente. Como me disse uma amiga: dá muito trabalho mudar pra outro país e ter que se preocupar com coisas que tu achava que já sabia fazer, como falar com os outros.)
(E alguém me explica essa demência do padrão de pontuação americano ser diferente do resto do MUNDO? Desaprendi todas as minhas vírgulas, e pontos antes ou depois do parênteses. Ah, e pode esquecer essa ortografia nova comigo, que a última vêz que escrevi um têxto de verdade na língua portugueza acho que ella nem estava em vigôr ainda.)
Me chocou um pouquinho (mas foi um choque idiota) ver que meu pai comprou todos os presentes de natal pela internet. Em 2006 ele morria de medo de botar o cartão de crédito num site. E, bah, como as pessoas estão online, né (hah)? Novelas com blogs e Twitteiros no BBB e jornais mandando as pessoas pro site. Só noto a diferença porque quando fui embora era menos, é claro. E porque, com toda essa modernidade, ainda sofro pra falar no Skype com a minha mãe e ainda acabamos no MSN Messenger (COMO ASSIM, MSN?).
E me chocou como eu tava ADORANDO os 37 graus de Porto Alegre. Como todos sabem, em Porto Alegre o melhor programa de verão é ficar fechado em casa no ar-condicionado esperando passar ou ser tele-transportado pra praia. Aqui em NY o verão é mais ou menos a mesma coisa, úmido e quente. Mas o inverno é muito cruel, praticamente não se sai de casa. No verão as pessoas ficam tão contentes com temperaturas acima do ponto de congelamento da água, com as flores, com narizes que não sangram mais, com os dias que anoitecem bem depois das 3 da tarde, que a reação natural ao verão é sair pra rua, pegar queimaduras de sol, andar de bicicleta no mormaço, SUAR MUITO, dormir em parques urbanos de biquíni, COMO ASSIM, tu não ficou na rua O DIA INTEIRO nesse lindo sábado de sol do VERÃO DE SAM? Deve ser porque tu NÃO TEM AMIGOS.
Me chocou também que eu ACHO que gastei mais dinheiro em trago no Brasil do que gasto aqui em NY. Mas, como também bebi mais, não tem como saber. Diferença: aqui tem Boddingtons, mas não tem cervejas uruguaias.
No mais, é bom voltar aqui no blog. Mas não conte muito comigo, porque eu sou um floco.
* Pra não jogar o tupperware fora, é só botar o pote no freezer, congelar tudo, jogar tudo fora sem bichos voando na tua cara e lavar o tupperware. Como ainda estou na parte de congelar o pote, não sei se terei estômago para o resto da operação.
Indo pra Porto Alegre na segunda metade de setembro, ficando até início de outubro, com direito a uma breve passagem por São Paulo pra resolver burocracias. Vamos tomar uma ceva?
Brasileiros que gostam de misturar um inglês no meio do seu português falam palavrão pra cacete. MESMO. Só americano DAS GROTA fala tanto f*cking isso, f*cking aquilo. E pior é que escrevem esses palavrões, fazendo a soma final de palavrões em inglês ser muito maior do que a soma de palavrões em português. Será que é porque, em outra língua, não soa tão forte quanto é na realidade?
Não quero ser injusta, eu não sabia disso antes e falava uns palavrões descabidos. Até uma amiga dizer que era melhor eu não dizer algo como f*ck buddy em nenhuma conversa com ninguém, basicamente. Não cairia bem NUNCA.

O Brasil é um país católico, né? (ok, ok, mas é, né?)
Por que só aqui nos EUA mesmo as pessoas levemente católicas passam na igreja na quarta-feira de cinzas pra sair de lá com a testa manchada de cinzas em formato de cruz? Eu NUNCA vi isso enquanto morava em Porto Alegre, e agora tem um MONTE de gente aqui no trabalho entrando nas reuniões com a testa manchada. Me sinto um ALIEN por achar isso estranho. Eu quase disse pra alguém “tu esqueceu de limpar a tua testa” hoje.
Será que tá todo mundo muito de ressaca do carnaval no Brasil pra ir na igreja fazer isso?
A primeira coisa que me ocorreu, depois de estranhar todo mundo falando português, foi:
- Nossa, como essa gente se ABRAÇA e se PEGA.