Passeando pela Vieux Montréal, vi uma vitrine de uma livraria meio incomum: não havia best sellers nem nada que eu conhecesse, mas apenas livros de moda e fotografia, coleções estilo Taschen. Achei muito lindo e interessante e entrei. Librissime era o nome do lugar. Logo na porta há um quadro negro com uma frase de Groucho Marx: “I find television very educating. Every time somebody turns on the set, I go into the other room and read a book”.

Mas, naquela loja, aquela frase estava carregada de uma ironia não intencional, pois era basicamente uma loja de coffee table books — uma categoria de livros criada para os arquitetos da Casa Cor enfeitarem as salas que eles criam e dar um toque meio lifestyle pra coisa toda. Ou seja, você não compra um coffee table book porque ele tem uma ótima seleção de fotografias daquele cara que você adora; na verdade, você ganha um coffee table book de presente de alguém para deixar em cima da mesinha de centro da sala pras visitas olharem enquanto você abre o vinho. Ok, esses livros na real são bem legais, e eu tenho um monte deles. O que me deixou cheia de mixed feelings é existir uma loja disso.
Os livros que não eram de fotografia eram edições decorativas caríssimas de grandes obras de literatura, como a Divina Comédia em três volumes com capa de madeira aí embaixo: tipos, quem é que compra isso por 5 ou 10 mil dólares porque quer LER? Os de fotografia não eram muito caros, mas encorajava-se que o cliente comprasse uma caixa de papelão bonitinha de $300 que vinha com quatro livros à escolha entre uns 30 títulos daquela coleção.


Como em qualquer loja de estilista famoso no Soho, a loja tinha uns sofás antiguinhos que não serviam para as pessoas sentarem, mas sim para exibir os livros displicentemente jogados. Nas prateleiras não tinham muitos, mas eles eram organizados pela cor da lombada. Pra falar a verdade, se tirassem os livros de lá, eu diria que a mobília toda era destinada a uma loja de roupas, não a uma livraria.

O pior de tudo é que o site consegue ter ainda menos conteúdo: não tem nem a porra do endereço lá. Por favor, me digam se estou exagerando ou se isso é mesmo hediondo.

Fiquei meses sem receber a W Magazine, e acho que era porque sempre tinha alguém me surrupiando as revistas antes que chegassem pra mim — o que é meio ridículo, já que a assinatura anual custa apenas uns US$14. Mas, finalmente recebendo essa última edição de Setembro (sim, elas saem antes) eu entendi porque não encontrava mais as revistas. A W é foda mesmo, melhores fotógrafos. A foto aí em cima foi feita por Mert Alas e Marcus Piggot, que eu não conheço, mas já aprendi que qualquer coisa cujo styling tenha sido feito pelo Alex White é boa. O editorial inteiro tá aqui.
E já que o lance parece ser luzinhas coloridas pastel, aproveita pra olhar essas fotos aqui do Mario Sorrenti, que aparecem na mesma edição:
Ele, que é um dos mais bem sucedidos fotógrafos de moda da atualidade, finalmente lançou um site. Horrível, mas um site, e cheio de figurinhas.
Meus professores do workshop de iluminação mencionaram alguns nomes na semana retrasada, e só ontem eu fui pesquisar a respeito. Me dei conta de que eles estavam falando do grupo de fotógrafos que é provavelmente o mais publicado nas revistas daqui e da Europa agora. Entre esses, especificamente, é comum o uso bastante complexo de luz artificial.
Um deles é o Miles Aldridge, e só posso dizer que ele é um londrino de 40 e poucos anos e que eu ainda quero descobrir como ele faz pra fazer umas peles tão brancas nas fotos dele. Espero que não seja Photoshop. Sem contar as luzes coloridas, sombras, fumaça — efeitos completamente diferentes do set anterior, porém chegando a um mesmo “clima”. E nem me pergunta sobre a concepção dos editoriais, a maneira como ele conta histórias sempre dentro do mesmo universo meio antigo, de mulheres e travestis. É muito demais.
Mais do Miles aqui.
Se eu ganhasse um centavo pra cada um que eu escuto dizer “Eu só ando com gente bonita, interessante ou boa no que faz” só pra ver os outros se esfalfarem tentando impressionar, eu tava rica.
Ou: o que faremos num mundo pós-Helmut Newton.
Foto: Juergen Teller
Foto: Paolo Roversi
Foto: Paolo Roversi
Foto: Paolo Roversi
Foto: Terry Richardson (para Miu Miu)
Foto: Andrew Yee
Foto: Ellen Von Unwerth
Foto: Zhou Xun (de novo, para Miu Miu — a campanha toda tá no ar no site da marca)
OK, eu provavelmente estou ficando maluca. Vou embora e só consigo falar em chinelo. Mas tinha que contar que só hoje vi três pessoas paradas na calçada com um pé de chinelo com a tira arrebentada na mão.
Uma delas era eu.
Ontem, na entrada do prédio onde eu trabalho, tinha uma mulher tirando as havaianas pra calçar um calçado tipo sapatilha antes de entrar no escritório. Peguei o elevador com ela.