Vale avisar que eu nunca fui num show de punk-rock, mas imagino que seja igualzinho ao punk cigano performático do Gogol Bordello que vi no Irving Plaza ontem. Abaixo uma foto do momento em que o ucraniano Eugene Hutz sobe com uma fã num tambor enorme segurado pela platéia acima de suas cabeças (não, ele não tá no palco). Quando tocaram Start Wearing Purple, eu pensei que alguém ia morrer.
O sotaque ucraniano é fake, o membro “latino” do grupo usando uma camiseta do Chapolin é fake, a “ciganice” nasceu e mora há anos em Lower East Side*. Mas é MUITO divertido.

* As pessoas aqui são de um bairro como no resto do mundo seriam de uma cidade. Quem mora em Lower East Side não sai muito de lá.
Desde exatamente o dia de Thanksgiving (23 de novembro), as rádios e as lojas não páram de tocar músicas de Natal. Conforme se aproxima o grande dia, os trens ficam cada vez mais apertados — por causa das sacolas. Achava que era exagero tanto Natal assim, mas minha curiosidade antropológica foi despertada depois de ter mais de 10 compromissos cancelados só essa semana porque estão todos muito ocupados nas lojas, nas ruas, bebendo eggnog na festa da firma e trepados em pinheiros pendurando bolinhas de vidro na cidade mais natalina do mundo.
Se eu achava que o pessoal ficava louco nessa época em Porto Alegre, eu não tinha visto nem a metade.

Então fui passear um pouquinho por esses dias nos lugares neoiorquinos mais famosos nessa época. Comecei em Midtown, em Bryant Park, que fica perto da Times Square. Lá, resolvi que a melhor idéia seria fotografar todos os pinheiros enfeitados de mais de 5 metros que me cruzassem o caminho.
Em Bryant Park tem também uma feirinha de artesanato linda e cara, e uma pista de patinação no gelo onde estreei minhas primeiras escorregadas esses dias. Natal com INVERNO é outra história.
Depois do parque, segui pela 5a. avenida, famosa por ser uma das ruas mais caras do mundo. Uma ou duas quadras depois, apareceu esse prédio cheio de flocos de neve.

Quando olhei pro lado, uma música natalina cheia de suspense começou a tocar. Uma trilha incidental dramática que acompanha o drama de um tio está enfrentando uma fila pra comprar pro sobrinho um aviãozinho de controle remoto que também anda na água, enquanto sua esposa liga dizendo que vai jogar a janta pela janela se ele não voltar logo. Os flocos de neve começam a piscar. Isso chama a atenção do povo, que tira FOTOS dos flocos piscantes (nenhum sentido). A música se intensifica, e inconscientemente apressei o passo.
Mas não antes de tirar uma foto da árvore do prédio da frente, o Rockefeller Center:

E nem andei uma quadra até achar a Cartier enrolada pra presente:

E aqueles sininhos que eu ouvia O TEMPO TODO na rua? Era o pessoal da Salvation Army ocupando todas as esquinas, claro:

No horizonte tinha uma coisa brilhante azul pendurada no meio da rua, metros acima de onde os carros passavam. Andando e andando, encontrei o floco de neve gigante perto do Central Park:

E, acho que do lado:

E nas vitrines:

Mais 2 ruas até o Central Park pra ver se tinha alguma árvore de Natal lá pra fechar a minha missão. Vi a loja da Apple:

E nada de árvore de Natal. Só uma Menorá super muderna:

(No cartaz do lado lê-se “I am a city child, I live at The Plaza — hotel rooms starting from 1.5 million”)
No Brasil eu não faço a menor idéia de que Chanuká existe na mesma época que o Natal. Em NY, naturalmente, é mais óbvio. Falhei em tirar fotos dos judeus perguntando para as pessoas na rua se elas são judias. Mas falhei também em averiguar o que se segue se a resposta é sim.
O Natal é mesmo uma coisa, um espírito contagiante, não é mesmo, minha gente? Torrei o saco, peguei o metrô e fui pra casa. Sem uma sacola nas mãos. E sem ter visto UM Papai Noel sequer (?!).

Sem amigos e sabendo que o Central Perk Cafe não existe, me contento o Prospect Perk Cafe aqui perto de casa — e perto do Prospect Park.

Hoje, feriado de Labor Day, teve esse desfile dos países “west indian” (Cuba, Jamaica, Trinidad y Tobago, Haiti, Barbados, Belize, Martinica e outros). É pra ser algo quase tão grande quanto o Mardi Gras, uma versão do carnaval desses países, com gente fantasiada e tudo. Dei uma passada lá hoje e confesso que esperava mais — só ouvi tocarem funk, queria que tivessem aquelas musiquinhas cubanas daquele filme maravilhoso
Enfim, tirei fotos (duas aí embaixo, o resto clicando no link nas fotos):