
A primeira foi a Bibiana, pro ensaio La Grippe, das Super Sexies. Além de não ter pensado na época como seria mais fácil dirigir uma atriz, o ensaio era com mais 3 pessoas não-atrizes em cena (uma delas estrangeira). Meio que me atrapalhei com tanta coisa dependendo de mim.
A segunda foi a Ida Celina Weber, uma senhora atriz, para O Livro de Ana. Foi sensacional. Ela estava ensaiando o monólogo-tema das fotos havia algum tempo, estava com o personagem praticamente absorvido. Eu não dirigi quase nada, só corri fotojornalisticamente atrás dela e dei um pitaco ou outro.
Ultimamente, tenho pensado muito em fotografar atrizes.
A Lesley (acima) foi a terceira, para um ensaio ainda a ser publicado. Eu *precisava* fotografar, então chamei a Lesley, só porque achava que o cabelo comprido dela era legal. Me contou que ele era longo para poder mudá-lo facilmente se fosse necessário para algum personagem. Fiquei pensando nas atrizes tatuadas — Angelina Jolie, que interpretou uma modelo dos anos 70 e não cobriu as tatuagens.
Chamei a Lesley e um amigo que já tinha oferecido um carro antigo para fotos para comparecer em Ipanema domingo de manhã. O carro não chegava, nem o amigo, então o meu celular tocou. O carro, porque era antigo, não conseguiu sair da garagem. Acabei com uma modelo maquiada e vestida abandonada a pé na beira da praia às 11h da manhã, mas resolvemos fotografar assim mesmo. Talvez a situação desoladora tenha interferido em toda a historinha que criei pro ensaio, porque em seguida a Lesley virou uma mulher que acordou na beira da praia depois de uma festa em que o namorado pegou uma outra loira qualquer. Divertido mesmo foi ela gritando que ia matar o cara envenenado pra todos os esportistas de domingo escutarem. No final, fiquei satisfeita com as fotos, o que me surpreendeu.
Nunca me importei em fotografar pessoas que não soubessem atuar, me bastava que gostassem. Antes de fotografar alguém, em geral pergunto se gostam de fazer careta no espelho; porque alguém que quer posar deve tentar saber, pelo menos, como se parece na frente do espelho. Em geral, o fascínio de posar das pessoas que fotografo vem de saber como se parecem a partir do ponto de vista de outra pessoa, e eu acho divertidíssimo quando descobrem.
Atores estão acostumados com a própria imagem, o trabalho deles é controlar como se parecem do ponto de vista das outras pessoas. A diversão deles em posar provalvelmente não difere de atuar, então a situação acontece em um nível diferente, mais solto. Adoro pensar no esforço que fazem para mudar a maneira de caminhar e de falar, controlar o próprio corpo, pensar em detalhes como “um homem, quando fala, gesticula mais com os polegares do que as mulheres”, exigir muito mais exatidão na direção pra chegar a uma cena que faça sentido.