
PRECISO bolar alguma foto com essa camiseta. Sugestões?
Era findi de Halloween na foto loira ali. Todo mundo fantasiado no metrô, super normal.
Apavorei horrores, hein?
Mas olha que, um dia antes dessa foto, eu perguntei pra uma menina negra no metrô onde ela tinha cortado o cabelo, pois tinha o corte que eu queria. Era liso demais pro cabelo de uma negra, mas imaginei que ela tinha alisado muito e tal. Ela me respondeu: é peruca. E eu apavorei mais uma vez.
Do meu aniversário, que foi na semana passada, eu conto que tive o privilégio desavisado de rever o Beck no Landmark Loews Theatre, em Jersey City, depois de um intervalo de 5 anos do seu show em Buenos Aires. Ele melhorou tanto daquela vez que posso dizer que o último show foi o melhor show que eu já vi na minha vida.
O Beck não é exatamente carismático no palco. Ele não olha muito pro público, parece estar mais preocupado com a música e com a sua COOLNESS. Não foram poucas as vezes em que ele e os integrantes da banda paravam de dançar pra fazer uma pose pra algum fotojornalista durante o show. Nesse último show, da turnê do novo CD The Information, não foi diferente, mas o show era um videoclipe acontecendo ao vivo, então tinha mais o que se ver.
Havia um mini-palco em cena que reproduzia o palco real, e tinha bonecos manejados por puppeteers que eram a banda, e faziam tudo igualzinho ao show real. Esse mini-palco era filmado e as imagens, alteradas ao vivo, jogadas num telão em cima do palco. Tipo o clipe de Nausea.
Os bonecos deram pano pra manga pra uma puppet cam que filmava os músicos reais, um vídeo da banda-boneco tocando o horror em lugares clássicos de Jersey City, pupeteers tocando os intrumentos dos bonecos com os próprios dedos, invasão de bonecos no palco real.
O Beck também deu uma canja acústica de umas 4 músicas, e nesse momento desocupado, o resto da banda sentou numa mesa posta no palco e jantou. Depois tocaram um medley de Debra e alguma outra música que esqueci usando os talheres, pratos e copos da mesa.
Mais fotos aqui. Até agora eu tenho cá as minhas dúvidas de que eu realmente estive lá e vi isso.
Muito tarde me dei conta que as pessoas não gostam de ser tocadas aqui. E eu que não entendia porque me olhavam com cara feia quando eu pedia desculpas por esbarrar em alguém no trem. Eu estava pedindo desculpas tocando no braço ou algo assim. Tsc.
Agora, para aqueles americanos que, ao contrário da maioria, QUEREM ser tocados, existem as Cuddle Parties. Não consigo pensar em uma boa tradução em português para “Cuddle”, mas significa algo como ficar enrolado no sofá com o namorado num sábado de tarde vendo filme. As cuddle parties seriam uma grande orgia de ficar enroscado em um monte de gente estranha de pijama comendo chocolate debaixo de cobertores.
Fazem 9 graus Celsius lá fora (ok, ok, 48 Fahrenheit), mas o pior é atravessar a rua onde tá ventando;
É tão seco que o frio não chega nos ossos, como parecia em Porto Alegre;
Meu nariz sangra um pouquinho todas as manhãs;
Levo vários choques todas os dias de maçanetas metálicas;
Comecei a usar meu casaco de inverno canadense;
Meu cabelo está sempre lindo;
Comprei Chap Stick sabor cereja;
Não páro um minuto de passar creme hidratante;
No meu apê o aquecimento é tão forte que eu andaria de calcinha pela casa se isso não deixasse os 2 texanos constrangidos;
Enfim, é outono em NY. Eu choro só tentando imaginar o inverno. Mas nunca vi neve, então será muito massa nos primeiros 15 minutos, e enquanto o meu nariz não congelar e cair.
E, por falar em metrô: existe a opção de comprar single rides por US$2 cada, ou um Metrocard que dá pra andar à vontade durante uma semana (US$24) ou um mês (US$76). Por estar usando o metrô de 2 a 3 vezes por dia em média, compro o de um mês. Mas, estabanada como sempre fui, perdi meu cartão esses dias, depois de uns 15 dias de uso. Fui instruída a telefonar pra MTA e passar o número do cartão de crédito que usei para comprar aquele Metrocard. Eles cancelaram o cartão perdido (cujo número de série foi encontrado através do número do meu cartão de crédito) e, em questão de 3 dias, me depositaram de volta o equivalente ao restante dos dias que não usei o cartão.
Além disso, há pouco tempo descobri que esse cartão também permite andar à vontade de ônibus dentro da cidade.
Só depois de mais de um mês morando na cidade é que percebi:

Desse show, precisava contar que o vocalista tocou uma das músicas de forma horrorosa só porque achava que podia, e todo mundo bateu palma, meio confuso. E que ele tocou a mesma música várias vezes mais lenta porque ele achava que aquela melodia era tão legal. E disse que todo mundo era muito burro por não reconhecer que ele era o melhor músico que existe no momento, e que ele tinha que parar de fazer música mesmo. E tocou Like a Virgin. E, ao invés de fazer aquela saidinha dramática do palco pra voltar uns 4 minutos depois, disse que precisava muito fumar um cigarro ali fora, e que já voltava. E saiu, e voltou. E, músicas depois disso, disse que tava na hora de ir embora, porque ele nunca tinha vindo à NY e queria muito sair pra tomar beber com a namorada dele — que ele chamou pra cantar junto uma última música.
Foi no mínimo engraçado.