A quem interessar possa, eu NÃO vou passar a virada de ano na Times Square. Para de fato ver a tal da bola cair é necessário chegar umas 4 da tarde no local, me disseram, e esperar. Sem sair do lugar. Chegar pelas 9 da noite pode acabar em incomodação e é certo que tu não verá a tal da bola. Não há banheiros públicos instalados para o evento, então eu prefiro não imaginar como se resolvem certos assuntos. Não dá nem pra brindar com champã, pois é proibido beber na rua aqui, e não existem muitos bares pela volta. E, se for como o Halloween, é certo que não tem nem música tocando. Meus amigos sabem que sou parceira de indiada, mas tem limite.
Então acho que o programa dessa vez será invadir festas de amigos de amigos de convidados. Se isso começar a dar errado, sempre existe a opção de entrar em festas de bares. Acompanhada de uma boa turma e brindando com estranhos, estarei contente. Feliz 2007!

A Minnie da Liberdade era meio assustadora, mas ficava mais amigável depois que se descobria que ela apenas fazia parte da série Disney NYC (que incluía um Mickey TIRA). A miniatura gata do Jonhny Depp de pirata do caribe, o Pateta gordo e as inúmeras bolas de vidro que nevam dentro me mantiveram entretida por horas. Pena que não tirei foto vestindo os tic-tacs de orelha de Minnie. Me deixou cheia de planos para o próximo Halloween, se ele existir.







Contei que 60% das sacolas que as pessoas carregam na linha Q do subway é da Macy’s, a maior loja de departamentos do mundo?
Imagina 10 C&A’s, das grandes, empilhadas uma em cima da outra? E imagina que para cada peça de roupa dentro da loja tem uma pessoa? Pois é. Entrar na Macy’s em qualquer dia de dezembro é uma grande aventura, algo como o shopping Praia de Belas às 5 da tarde do sábado anterior ao Natal.
Vale avisar que eu nunca fui num show de punk-rock, mas imagino que seja igualzinho ao punk cigano performático do Gogol Bordello que vi no Irving Plaza ontem. Abaixo uma foto do momento em que o ucraniano Eugene Hutz sobe com uma fã num tambor enorme segurado pela platéia acima de suas cabeças (não, ele não tá no palco). Quando tocaram Start Wearing Purple, eu pensei que alguém ia morrer.
O sotaque ucraniano é fake, o membro “latino” do grupo usando uma camiseta do Chapolin é fake, a “ciganice” nasceu e mora há anos em Lower East Side*. Mas é MUITO divertido.

* As pessoas aqui são de um bairro como no resto do mundo seriam de uma cidade. Quem mora em Lower East Side não sai muito de lá.
Na 5a. avenida também se encontra um prédio residencial e comercial distinto e de classe, com muito ôro, mármore e imponência, que merecia um post à parte. É a Trump Tower. Sim, a dele.

Desde exatamente o dia de Thanksgiving (23 de novembro), as rádios e as lojas não páram de tocar músicas de Natal. Conforme se aproxima o grande dia, os trens ficam cada vez mais apertados — por causa das sacolas. Achava que era exagero tanto Natal assim, mas minha curiosidade antropológica foi despertada depois de ter mais de 10 compromissos cancelados só essa semana porque estão todos muito ocupados nas lojas, nas ruas, bebendo eggnog na festa da firma e trepados em pinheiros pendurando bolinhas de vidro na cidade mais natalina do mundo.
Se eu achava que o pessoal ficava louco nessa época em Porto Alegre, eu não tinha visto nem a metade.

Então fui passear um pouquinho por esses dias nos lugares neoiorquinos mais famosos nessa época. Comecei em Midtown, em Bryant Park, que fica perto da Times Square. Lá, resolvi que a melhor idéia seria fotografar todos os pinheiros enfeitados de mais de 5 metros que me cruzassem o caminho.
Em Bryant Park tem também uma feirinha de artesanato linda e cara, e uma pista de patinação no gelo onde estreei minhas primeiras escorregadas esses dias. Natal com INVERNO é outra história.
Depois do parque, segui pela 5a. avenida, famosa por ser uma das ruas mais caras do mundo. Uma ou duas quadras depois, apareceu esse prédio cheio de flocos de neve.

Quando olhei pro lado, uma música natalina cheia de suspense começou a tocar. Uma trilha incidental dramática que acompanha o drama de um tio está enfrentando uma fila pra comprar pro sobrinho um aviãozinho de controle remoto que também anda na água, enquanto sua esposa liga dizendo que vai jogar a janta pela janela se ele não voltar logo. Os flocos de neve começam a piscar. Isso chama a atenção do povo, que tira FOTOS dos flocos piscantes (nenhum sentido). A música se intensifica, e inconscientemente apressei o passo.
Mas não antes de tirar uma foto da árvore do prédio da frente, o Rockefeller Center:

E nem andei uma quadra até achar a Cartier enrolada pra presente:

E aqueles sininhos que eu ouvia O TEMPO TODO na rua? Era o pessoal da Salvation Army ocupando todas as esquinas, claro:

No horizonte tinha uma coisa brilhante azul pendurada no meio da rua, metros acima de onde os carros passavam. Andando e andando, encontrei o floco de neve gigante perto do Central Park:

E, acho que do lado:

E nas vitrines:

Mais 2 ruas até o Central Park pra ver se tinha alguma árvore de Natal lá pra fechar a minha missão. Vi a loja da Apple:

E nada de árvore de Natal. Só uma Menorá super muderna:

(No cartaz do lado lê-se “I am a city child, I live at The Plaza — hotel rooms starting from 1.5 million”)
No Brasil eu não faço a menor idéia de que Chanuká existe na mesma época que o Natal. Em NY, naturalmente, é mais óbvio. Falhei em tirar fotos dos judeus perguntando para as pessoas na rua se elas são judias. Mas falhei também em averiguar o que se segue se a resposta é sim.
O Natal é mesmo uma coisa, um espírito contagiante, não é mesmo, minha gente? Torrei o saco, peguei o metrô e fui pra casa. Sem uma sacola nas mãos. E sem ter visto UM Papai Noel sequer (?!).

Santacon é um desfile de pessoas bêbadas vestidas de papai noel andando pela cidade, gritando hohoho e parando em todos — TODOS — os bares por onde passam. Acontece em várias cidades, inclusive aqui.
Bem que eu tinha achado estranho aquele bando de papais noéis enchendo o saco no bar no sábado. Bem que me disseram: “não fale mais com os papais noéis, POR FAVOR”.
Depois de um tempão postando, despostando e ficando sem postar, vale avisar que eu estou viva e que está tudo bem por aqui. Todos os meus cursos de fotografia acabaram ontem, e o resultado do melhor deles (Advanced Fashion and Beauty Photography with Digital Techniques, no Fashion Institute of Technology) tá nos links nas fotos abaixo:


O último contato que eu tive com ele, semana passada (parece que todo mundo falou com ele na semana passada, é impressionante). E momentos memoráveis: hiperdocumentação nas jantas na casa dele, e ele falando em acabar com o Insanus todo dia, era engraçado. Ou dançando loucamente. Baita hippie. Gostava de fotografia e era bom nisso; olha como ele tá segurando uma câmera em muitos retratos tirados dele. Sim, sim. Ele era mesmo genial. Ãe, aquela risada dele!
Que droga. Saudades.