Na sexta-feira eu achei uma carteira no chão da loja do MOMA. Tinha uns 200 dólares (em notas de $100, apenas turistas conhecem essas notas) e uns 7 cartões de crédito internacionais, além de um cartão de hotel e umas notas fiscais — mais nada. De acordo com uma das notas, a dona da carteira tinha saído da loja 2 minutos antes, com um livro e um pôster comprados ali mesmo. Investiguei por uma boa meia hora e não encontrei o hotel, não achei o nome da mulher (espanhola da Galícia, de acordo com as evidências) em listas locais, não vi ninguém em volta que se encaixasse nesse perfil. Triste porque não consegui devolver a carteira, pois imagino como seja perder todos os cartões de crédito durante uma viagem ao exterior, deixei a carteira no caixa da loja. O mais impressionante é que NÃO PEGUEI os 200 dólares nem comprei um IPHONE (HAH! mas isso seria meio estúpido, ok) com um dos cartões de crédito, mesmo sabendo que era só o que a dona esperava se reencontrasse a carteira, e que os atendentes da loja provavelmente pegaram a grana. Não consegui, não deu, não quis.
Ando sem tempo e sem saco pra postar no blog. Na verdade, ando também sem grandes novidades. Como eu imaginava, todo lugar depois de 3 meses fica igual. Isso não quer dizer, de maneira nenhuma, que estou entediada, pelo contrário. É muito legal contar histórias de viagens, de hábitos estrangeiros, de bizarrices. Mas depois de um tempo no mesmo lugar essas coisas precisam ficar em segundo plano. Ficar longe de amigos já antigos de Porto Alegre é difícil, se eu me sentir e agir como uma turista no lugar onde eu moro o tempo todo, vou acabar ficando maluca.
Então tive que dar um tempo no blog. Especialmente porque nos últimos 15 dias estive procurando um lugar novo, maior, pra morar, ainda dividindo com outras pessoas. Na busca, observei algumas coisas a respeito da lógica de se conviver no mesmo lugar, e também sobre a antropologia arquitetônica de dividir espaços minúsculos numa cidade atrolhada e pequena:
- Não me agrada morar num lugar onde compartilho o banheiro com pessoas com quem não convivo;
- Carpete é foda, deitar na calçada deve ser mais higiênico;
- Closets são legais, roupeiros são caros;
- Não moro com gente cuja resolução de ano novo é “viver o melhor ano da minha vida” todos os anos. Podem ficar exageradamente decepcionados se não conseguirem cumprir, e me matar durante o sono por causa disso;
- Depressão é uma doença contagiosa entre pessoas que moram juntas;
- Músicos não servem pra roommates;
- Apenas mulheres num apartamento dificilmente dá certo;
- Deve ser massa morar com gente que tem apenas luzes coloridas no banheiro;
- Se tem alguém cruzando o corredor com uma garrafa de gasolina no prédio onde você vai morar, isso é um mau sinal;
- Há que se prestar atenção ao barulho da rua, e, em locais em cima do metrô, se o prédio treme quando o trem passa;
- Rodovias e trilhos elevados arruinam tudo o que existe num raio de 3 quadras;
- Se a área comum de um apartamento cheio de gente é vazia e os quartos são abarrotados, espere nunca sair do quarto;
- Nunca diga numa visita a um apartamento que aquele lugar está mesmo bem limpo, ou bastante bem arrumado, nossa!;
- Algumas salas têm um buraco no meio com uma escadaria que desce para um quarto;
- Chegar no banheiro passando pela cozinha não pode ser considerado planejamento arquitetônico;
- Chegar no banheiro passando por 2 quartos de outros, também não;
- Quarto privado é um lugar com 4 paredes em volta de apenas uma cama;
Uma das conclusões a que cheguei, depois de viver algumas histórias e ouvir outras, é que todo lugar que se divide entre estranhos é um campo de batalha em potencial, ainda pior se dividido entre amigos. A Natalie me disse que é casamento sem amor. Creio que a maneira mais fácil de se conviver num mesmo apartamento é ter bastante espaço privado e um razoável espaço comum. A mesma coisa para o tempo. E eu acho que dividir banheiro e cozinha é foda. Preciso de uma mansão ASAP. O bom é que acho que já encontrei um novo lugar pra morar e, se tudo correr bem, me mudo na próxima semana e páro de falar de amenidades da vida de moradora de uma cidade qualquer ![]()
Quais são os feeds que vocês lêem? Meu feed reader anda meio chato, aceito recomendações. Respostas nos comentários, please.
Depois de reformas nas linhas e estações e problemas com os semáforos, a maior causa de atrasos no sistema de metrô de NYC são meninas que pegam o trem em jejum de horas ou até dias, seguindo dietas malucas para emagrecer. Ficam enjoadas, desmaiam e o condutor tem que ficar com elas até que chegue ajuda, muitas vezes bloqueando os outros trens.
(é uma matéria super divertida, insólita e provavelmente é verdadeira, mas é certo que as reformas são responsáveis por 90% dos atrasos.)