Vai agora lá no myspace do Andrew Bird e escuta a Heretics, do CD Armchair Apocrypha, lançado na semana passada. Dá pra baixar direto do site também. Verei ao vivo em maio. Invejem.
Por falar em show, vi The Decemberists na quarta passada, em Jersey City. Fiquei toda nostálgica porque sou uma indie que relaciona músicas com épocas da vida, e me lembrei muito de 2004. Lembrei do dia que eu fiz umas fotos e eu tava tão inspirada, do primeiro trago que eu tomei no meu apartamento em Porto Alegre, e do último também. Mesmo que eu esteja um pouco de saco cheio de Decemberists, foi bom ver The Mariner’s Revenge, épico de 8 minutos, ao vivo. Só foi chato quando ele tocou The Smiths e algumas pessoas ficaram de pé durante essa performance enquanto o resto do pessoal tava sentado (foi num teatro mesmo). Eu posso ser indie, mas tem limite. Pedir ajuda é mais digno.
Eu tenho certeza que Heretics, no futuro, vai me lembrar pegar um ônibus e ir até New Jersey num sábado de sol de ressaca. Mesmo que não seja o estado mais legal dos EUA, eu gosto de toda a função que parece uma viagem, mas não é, de pegar o ônibus e ver Manhattan de New Jersey, e porque lá tudo é mais calmo do que aqui. Como eu sou sentimental.
Não esperava que fosse gostar tanto dessa exposição. Vik Muniz é fotógrafo famoso pela reprodução feita com calda de chocolate da Monalisa de Da Vinci, e por outras reproduções de pinturas consagradas na história da arte feitas com, lixo, confete, fio de metal, folha seca. É engraçado e tal, mas pra mim pára por aí. O humor dele fica mais interessante em obras que também brincam com a noção de cópia da cópia, como as nuvens desenhadas no céu em fotografias e os Earthworks — fotografias aéreas de desenhos gigantescos de pegadas, uma tomada ou um cachimbo em terrenos limpos.
Mas a parte que me impressionou de verdade foi The Weimar File, uma sala pequena e escura, iluminada somente por uma lâmpada pequena, e coberta de fotografias preto e branco do teto ao chão. Todas as fotografias parecem documentos forenses ou de espionagem ou de vigilância do governo; fotos tecnicamente ruins e sem muita composição de grupos de algumas pessoas com rostos apagados, objetos meio aleatórios com uma mão apontando pra eles ou uma moeda ao lado, documentos, lugares estranhos. Uma voz gravada relata como essas fotografias foram encontradas, o que se supõe que elas sejam e quem fotografou, e qual foi a repercussão da publicação delas num livro. Minha supresa, ainda que pareça meio ingênua, é que todas as fotografias foram produzidas por Muniz. Tá, parece fácil adivinhar isso sabendo que as fotografias estão num espaço artístico, mas as imagens eram realmente convincentes. Mesmo depois que me dei conta, quis ficar horas dentro da sala sendo enganada. Como quando escuto qualquer história. Uma boa história é o que importa, não é?
Vik Muniz tem um ótimo site com boa parte do trabalho dele disponível na parte de galerias. Vale a pena.

Seguem as foteenhas da viagem a Ottawa. Ótima cidadezinha, limpinha, bonita, com um clima meio horrível e com bastante coisas pra fazer pra uma cidade que tem menos de um milhão de habitantes. Foi uma ótima surpresa também descobrir que os canadenses e imigrantes do Canadá são pessoas muito simpáticas, sorridentes e tranqüilas, uma diferença enorme em relação a New York City. Apesar de tudo, me entediei rapidamente por lá; mesmo que linda, Ottawa é meio calma demais, boa para famílias.
Além da galeria, que segue clicável nos quadradinhos aí embaixo, fiz também uns panoramas. É uma cidade cheia de paisagens, então não me contive.

@ National Gallery of Canada, Ottawa

Primeira coisa que vejo quando chego no hotel aqui é uma revista com todas as barbadas para viver e trabalhar em Ottawa. Inclusive com dicas pra estrangeiros.
E no elevador tem um aviso com a previsão diária do tempo. Nessa folha tá sempre escrito “Today is a great day to find a job!”
Eu não sei se fui parar num hotel de imigrantes ou desempregados, mas aquela lenda de que o Canadá adora um imigrante parece mesmo verdade. Tem mais sobre Ottawa, vou postar em seguida.
UPDATE: a principal notícia dos jornais de hoje em Ottawa foi o resultado de um censo que mostrava que 2 terços do crescimento demográfico do Canadá nos últimos 5 anos foi devido à imigração. Pelo texto da MetroNews, o governo está muito faceiro com isso, e fica feliz de ver que a tendência será aumentar ainda mais essa fatia pro lado dos estrangeiros. Ao lado dessa matéria, outra sobre o aquecimento do mercado e a maior oferta de empregos na primavera e mais duas sobre fertilidade e dicas para engravidar (!). Portanto, VENHA LOGO, que o Canadá precisa de VOCÊ.
Rico = Gostoso.
“Mi burrito está muy rico”, “uy, esta chica es super rica.”
Bonito = Bonito.
“La nobia se ve muy bonita, ¿verdad?”, “este paisaje es bonito.”
Eu falei “rico” para tudo e todos durante 6 meses, até que ontem a minha colega de trabalho teve que confessar que chamar ela de GOSTOSA só porque ela estava bonita numa foto não pegava bem. O marido dela estranhou muito, mas deixou quieto.