Quem for ao Google Maps visitar NYC tem disponível a Street View, que mostra uma panorâmica de várias esquinas de Manhattan, que já está quase toda mapeada. Como eles fizeram isso? Não sei. Se dá pra ver essa opção visitando o Google Maps de um computador do Brasil? Também não estou certa.
Aí embaixo é o prédio onde eu trabalho:
Resolvemos tirar a tarde de ontem pra passear no Soho, bairro de lojas de designer e galerias de arte. Passamos por uma loja que tinha um esqueleto na frente, e, nas vitrines, muitas caveiras, borboletas e animais empalhados. Era a Evolution Store, que vende tudo o que há de mais natural, porém de origem duvidosa (cadáveres de tubarões bebês? Máscaras africanas?). Fotos aqui (ou direto no meu Flickr).



Não me pergunte, eu também não entendi.

No terceiro dia nada de traumático aconteceu.
Quanto ao festival, o último acho que foi o melhor dia. The Kooks foi OK, Explosions in the Sky é um saco, Willie Nelson é perfeito, Happy Mondays é pura diversão, Air foi super francês se atrasando mais de meia hora e sendo terminados na quarta música pra que o DAMIEN RICE pudesse tocar, Placebo é tri, Kaiser Chiefs eu não tenho certeza.
O bom é que o festival foi tão bem organizado que todos estavam muito de bem com a vida. Maconha pode. Álcool, só dentro dos beer gardens em horários estabelecidos. Bate a meia-noite e queremos todos vocês fora daqui já. Nenhuma confusão semelhante ao que andava acontecendo no Fórum Social Mundial. E estamos falando de umas 100.000 pessoas por dia ocupando o mesmo espaço. Sempre dá merda quando tu não pára de servir cerveja, em qualquer lugar do mundo.
Não me pergunte do Rage Against. Eu já estava me sentindo meio velha demais pra aproveitar um festival de música de maneira apropriada, e resolvemos sair antes do fim do show para dormir mais cedo e começar a peregrinação a NY às 5 da manhã do dia seguinte. Que consistiu em engarrafamento apavorante em Los Angeles e a quase perda de um vôo matinal. Fantástico.
Tá, tá, TÁ, eu JÁ VOU arrumar o design do blog!
Espera um pouquinho que eu já vou lá.

No dia seguinte decidimos que eu estava em condições de dirigir, e que seria mais fácil estacionar por lá e voltar, bastava que eu não bebesse. Só que o carro não ligava, e a chave ficou presa na ignição. E estávamos prestes a perder o show do Andrew Bird. O do Travis eu já tinha desistido, não tinha jeito de chegar.
Harry, o cara da assistência técnica, crê que eu matei a bateria do carro de alguma maneira, e pode ser que não adiante carregar de novo. Ele faz uma ligação direta e eu dirijo o carro até a locadora para pegar outro. Harry é um senhor com sotaque texano que não gostou de NYC, e pensa QUALQUER COISA da gente. Ele aconselha que eu dirija com mais velocidade, pois o policial que passou por nós me olhou muito feio e certamente pensou que eu estava bêbada. This is California, the state of fruits, nuts and flakes.
Sinto falta do carro funerário. O carro novo é cinza, normal e sem graça. Tanto que perdemos ele no estacionamento do show todos os dias.
Mas, sobre o segundo dia de Coachella: Andrew Bird tocou as duas únicas músicas que eu queria ouvir no mundo, Arcade Fire, Gotan Project e The Good, The Bad and The Ugly, “a banda do cara do blur”, foram sensacionais. Ahn, não presta falar de música, verdad?


Começou no dia 20 de abril, quando comprei passagens de avião para Los Angeles para o dia 26, sem saber ainda se conseguiria ingressos para o festival e se meu chefe liberaria uns dias de folga. Jon, o namorado, comprou suas passagens em seguida. Um dia antes de viajar consegui os ingressos abaixo do valor anunciado com um dos pobres coitados que, na última hora, não poderia ir.
Ainda havia 2 problemas: um era que o Jon não tem carteira de motorista. Eu tinha a minha do Brasil, que vale por aqui sem a necessidade de tirar uma carteira internacional, então poderia chegar em Los Angeles à meia-noite, alugar um carro no meu nome e dirigir-lo por 150 milhas até Indio, California, onde acontece o festival. Só que, tipo, eu só dirigi umas 30 vezes na minha vida. Nenhuma delas nos U, S and A.
O outro problema era achar um lugar pra dormir. Por que eu não reservei um hotel pela internet? Beibi, todos os quartos disponíveis pela rede naquela região estavam reservados desde o ano passado. Os ingressos para o acampamento estavam esgotados também, e ninguém tinha barraca.
Eu contei que Coachella fica no deserto? Não, né?
Pois eu já estava em frangalhos em New York, dentro do avião, chorando por uma hora e meia de medo de dirigir e saudades dos meus pais. O Jon tem medo de avião. Só faltava mesmo um sobrinho hiperativo para que fôssemos eleitos o maior desastre aéreo depois de 9/11.

5 horas mais tarde vemos que é muito fácil alugar um automóvel em Los Angeles, praticamente obrigatório. Nos deram um que parecia um carro funerário, inclusive. 6 horas depois disso, e eu ainda estava dirigindo, 24 horas acordada e nervosa, a 70km/h numa estrada cheia de caminhões, cujo limite era 110km/h. Nenhuma vaga em nenhum hotel. Eu vejo um campo de cataventos na estrada e só dias depois confirmo que não era miragem.

Acabamos achando um hotel a uns 40km do local do show. Resolvemos que eu não devo dirigir pro show à tarde, que é melhor ir até lá de ônibus. E descobrimos que os jovens moradores do deserto saíram da escola antes de terminar os estudos, gostam de piercings, maquiagem escura, franjas compridas e fumar maconha.
Ao descer do ônibus, temos uma boa distância pra caminhar no sol do deserto às 2 da tarde. Mas a temperatura é amena essa época, uns 35 graus.
Não vou falar muito dos shows. Foram todos tão bons que eu nem tenho histórias específicas pra contar. No primeiro dia vimos Tilly and The Wall, Rufus Wainwright (que pensa que é a Judy Garland), Of Montreal (que troca de roupa 3 vezes em 40 minutos e pensa que é a Cher), Jarvis Cocker (ótima surpresa), um pouco de Interpol, um pouco de Sonic Youth, um pouco de Jesus and Mary Chain (não percebi que a Scarlett Johannson cantou com eles) e *ah* Björk. O único problema era decidir qual dos ótimos shows queríamos ver dos que aconteciam simultaneamente nos 4 palcos do festival.
Uma van nos levou de volta ao hotel. Esperamos uma hora por ela, mais ou menos, e descobrimos que ela estava a 2 milhas do local do show. Baita exercício. E o motorista da van achava que estava liderando uma excursão à Disney, o que foi péssimo.