Tou indo pra San Francisco na quinta-feira e fico até segunda. Não sei o que vou ver ainda. Aceito sugestões.
Bah, eu tou MOITO verão, vai dizer.

O P.S.1 é o museu de arte contemporânea do MOMA, e fica no Queens. Ele foi construído no prédio de uma antiga escola, e algumas salas de aula foram conectadas para formar galerias. E, porque todas as coisas ficam melhores no verão de NY, lá acontece o Warm Up, uma festa com DJs e performances que rola todos os sábados durante o verão, das 3 da tarde até 9 da noite. A pista de dança fica na parte da frente do museu, e todas as galerias ficam abertas para a festa (porém, só é permitido beber fora das galerias). Ontem aconteceu a penúltima festa do ano, e eu me arrependi muito de só ter deixado pra ir agora, porque foi divertidíssimo. Muitas pessoas dançando enlouquecidas e bêbadas, todos muito felizes, e eu encontrei um milhão de conhecidos (sendo que eu não conheço ninguém). No mais, juro que vi um gremista lá.
Aliás, o verão é a época mais divertida e interessante do ano em NYC. E, pra quem, como eu, passou por dois invernos seguidos, um brasileiro e outro americano, o calor chegou como um ABRAÇO SUADO. Mas a verdade é que aqui as pessoas aqui passam frio durante a maior parte do ano, e quando começa a esquentar, dá pra sentir que acontece um ritual de celebração do verão. É impossível ir direto pra casa quando se sai do trabalho, impossível passar um domingo bonito fechado dentro de casa como eu fazia com tanta facilidade no verão porto-alegrense, isso porque o verão é a época dos shows e sessões de cinema gratuitas nos parques, abertura dos terraços dos bares pela cidade, gente andando com roupas curtas e chinelas havaianas no meio da cidade (bem mais curtas do que pode ser visto em Porto Alegre no verão), ressacas aos sábados ao meio-dia curadas por um brunch num café, uma caminhada pelo bairro e uma visita ao zoológico. Rola até uma ansiedade de “o quê vamos fazer hoje?” porque tem 10 coisas interessantíssimas acontecendo a qualquer momento, e é necessário escolher. Por esse motivo, já faziam muitas semanas que eu estava bebendo todos os dias.
Uma pena que, nesse Warm Up, eu não pude beber: pra aderir ao inferno astral recente, comecei a tomar antibiótico ontem.
Acabei de descobrir que tentaram usar meu cartão de crédito no Kentucky e em Rochester, NY, pra compras de mais de 400 dólares. Que semaninha, hein, vou te contar.
E a segunda parte da noite de sábado foi mais assustadora ainda.
Pegamos o metrô, Jon e eu, pra voltar pra casa, isso lá pelas 2, 3 da manhã. Tudo ia muito bem até que dois caras, um negro e magrelo e um branco com uma menina entraram de outro vagão para o nosso brigando horrores. O cara branco já tinha levado porrada e queria que tudo aquilo acabasse logo, a menina dele ficava se botando entre ele e o magrelo, e o magrelo estava completamente enlouquecido tentando bater no cara branco, e quase batendo na menina, por algum motivo que nos escapou — mas devia ser mulher. Jon se levantou pra tentar apartar uma briga que seguia ignorada pelos outros no trem, uns segundos depois outras pessoas se animaram e foram lá ajudar ele.
Numa jogada brilhante, eles conseguem segurar o magrelo enlouquecido e deixar que o branco e sua menina desçam numa das paradas. Um negro enorme (que ele é negro e enorme são fatos importantes para a história) que apenas observava e entrou pra apartar a briga bem mais tarde, segurava e discutia com o magrelo, que perguntava porque infernos tinham deixado o cara escapar. E o grandalhão peitava e perguntava, hein, o quê, o quê que tu vai fazer, eu sou negro também, etc. O Jon, a essa altura, já tinha voltado a sentar, e é aí que entra a importância de que os dois eram negros e que essa história ocorre em NYC: um branquelo como o Jon não se mete numa briga dessas sem sair mal, por melhores que sejam as intenções. E os dois continuam discutindo, até que o grandalhão saca uma ARMA PRA TENTAR ACALMAR OS ÂNIMOS e continua perguntando, o que tu vai fazer, hein?!
E eu nunca comecei a chorar tão instantaneamente na minha vida. Não há o que fazer. A namorada do grandalhão se desespera e tira a arma da mão dele, jogando no banco do trem. E ela fica ali, enquanto os dois discutem. O trem pára numa estação e saímos correndo.
E, comigo ainda chorando, fica evidente a importância do cara ser enorme na história: ele poderia facilmente ter enchido o magrelo de porrada e encerrado o assunto. Por que infernos ele foi tirar uma arma na frente de um cara claramente surtado? Daquele tamanho e deve ter um pinto minúsculo.
Por outro lado, tem essas gangues de NYC que são de african-americans (ou seja, negros que estão nos Estados Unidos há várias gerações) e hispânicos, e que moram em determinadas regiões, incluindo o fim da linha daquele trem. E, perto de gangue, só andando armado mesmo.
Esperamos pra pegar o próximo trem, e nisso passa um policial. Contamos a história pra ele, meio sem esperanças de que vá resolver alguma coisa a essa altura, ele faz algumas perguntas rápidas e parte pra registrar a ocorrência, ou sei lá o quê. Depois de uns 20 minutos pegamos o próximo trem.
5 estações depois, na Atlantic Avenue, uma estação de trem enorme que é hub para nada menos que 11 linhas, o nosso trem é revistado por uma frota de uns 10 policiais. Achamos bastante eficaz, puxa, estão olhando todos os trens logo depois que avisamos! Abordamos um deles e descobrimos que eles acham que aquele trem é onde está o cara armado, e que não olharam o trem que passou antes desse por ali. Eles encerram as buscas e tudo está perdido, já deve fazer uma meia hora desde a última vez que vimos aquele maluco armado e o magrelo. So much for NYPD.
Jon tira o casaco, com medo de ser identificado pelo magrelo na saída da estação onde descemos, e onde é bem possível que ele more (contei que moro num bairro negro? Pois é). Eu subo pra rua primeiro, não tem ninguém e vamos pra casa sãos e salvos.
Eu tenho uma historeenha pra contar.
Tava razoavelmente pôdibêbada num bar meio fim-de-carreira (a.k.a. “dive”, como em “Bambu’s, at Independência avenue in Porto Alegre, is a real dive!”, mas aquele não era tão ruim quanto o Bambu’s) esse sábado no Chelsea com uns amigos brasileiros e outros americanos. Hora de ir no banheiro, sem fila, abro a porta, que bate numa mulher que tá lá dentro. Peço desculpas, fecho e espero. E espero. E espero. E a mulher não sai de lá. Pondero que ainda não é fim de carreira suficiente pra procurar o banheiro masculino naquele local, então espero mais. Uma menina chega atrás de mim e eu digo, meio impaciente, que sim, é a fila, e que tem uma pessoa lá dentro já faz tempo. E a mulher finalmente sai. E a mulher não tem um braço, só o que eu acho que era uma mão no ombro. E as duas são amigas.
E eu não sei como não levei porrada. Nem mesmo depois que contava a história para um amigo americano e a mulher e suas amigas passaram por trás de mim.
Mas o PEOR mesmo é uma história não relacionada que aconteceu uma hora mais tarde, e que eu vou contar só depois que conversar com a minha mãe a respeito — acho que ela não iria gostar de saber pelo blógue.
Contei que estou trabalhando como Information Architect em uma agência por aqui? Pois é. É a primeira vez que faço esse trabalho exclusivamente; já tinha feito isso um pouquinho na minha vida antes, mas nada como agora. Estou aprendendo bastante, mas a verdade é que não fiz nenhum curso, não tem ninguém na empresa que tenha bastante experiência nisso pra me ensinar, e, francamente? Eu não conheço mais ninguém que faça isso.
Dizem que uma das soluções pra esse tipo de problema não-conheço-ninguém-me-ensina em NYC é acessar um site chamado Meetup, onde qualquer pessoa pode criar um grupo para achar outras interessadas no mesmo assunto em uma determinada área geográfica. Não se trata de um fórum, mas sim de um marcador de encontros que manda convites para todas as pessoas cadastradas, lista quem confirmou que vai, quem não vai, etc. Dependendo da cidade americana onde se mora, tem grupos para praticamente todos os gostos. Pois acabei encontrando um de Information Architects em NYC, que tem mais de 400 membros e se reúne uma vez por mês desde 2002. Depois de alguns meses cadastrada no grupo, finalmente apareceu um dia em que não tinha nada pra fazer e achava que poderia incorporar o monstro social e encarar um grupo de desconhecidos.
Parecia que eu tinha me esquecido qual era a sensação de ir em IRCONTROS. E lembrei também que networking = trocar cartões de visita. Juntar networking com IRContro é engraçado.
Porque achei que o meetup era no BAR (19 horas, happy hour, sabe como é), acabei me perdendo, e encontrando um IA perdido por lá também. O cara era legal, veterano na área, tomamos uma ceva juntos. Ainda bem, porque foi a única ceva da noite: o grupo estava reunido no parque na frente do bar, tomando NADA (profissionais maiores de 21 anos, veja bem). Eram umas 25 pessoas sentadas em grupos menores numa roda. Ninguém nos pergunta nossos nomes, sentamos e nos apresentamos para a pessoa mais próxima. Que é uma louca que gosta de falar jargão mas aparentemente não sabe do que está falando (mesmo que eu seja uma JÚNIOR, conversas como “onde acho pesquisa para navegação horizontal ou vertical à esquerda para mulheres de 20 a 30 anos?” nunca vão parecer sérias pra mim).
Faço uma breve pausa para contar que LOU ROSENFELD, DEUS DA ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO, estava lá. E eu apertei a mão dele. Ai ai ai.
Fujo da louca do jargão achando que reconheci uma guria que vi uma vez na agência tempos atrás. Mas não é ela, é cilada: uma promotora de uma agência de empregos que tentava descolar meu cartão pra pagar o leitinho dos futuros filhos. Eu nunca vi ninguém ser tão simpática e extrovertida na minha vida. Ela me contou que gostava de freqüentar diferentes meetups, e que nunca tinha ido naquele, e que os de singles eram furada, que o negócio era caçar nos meetups de profissionais. Não sei se ela pensou que eu tava lá pra caçar e por isso resolveu falar sobre isso, nunca vou saber. Fiquei imaginando todo o trabalho que ela passava sendo simpática daquele jeito em VÁRIOS meetups, falando de assuntos completamente diferentes, de forma genérica e sempre sorrindo. Pela minha experiência, umas 4.000 pessoas se sentiram ALUGADAS POR HORAS por essa mulher só em 2007 em meetups, e nunca mais voltaram.
A maluca dos meetups foi a coisa mais chata da noite, mas chegou perto o cara esquisitíssimo que guardava os cartões das pessoas em um saco plástico que provavelmente era usado como carteira. Alguns geeks são bem esquisitos. Mas aquele lá até parecia gente boa. E quando me dei conta, já eram 9 horas e só tinham ficado 4 pessoas.
Existem umas pouquíssimas pessoas que conheço faz tempo e com quem ainda falo, e algumas delas saíram no IRC em 1997-1998. Por esse motivo, e porque não conheço muita gente nessa cidade mesmo, acho que vou aparecer de novo no mês que vem. E ver se cato algum meetup de fotografia. Hm.

Fiquei meses sem receber a W Magazine, e acho que era porque sempre tinha alguém me surrupiando as revistas antes que chegassem pra mim — o que é meio ridículo, já que a assinatura anual custa apenas uns US$14. Mas, finalmente recebendo essa última edição de Setembro (sim, elas saem antes) eu entendi porque não encontrava mais as revistas. A W é foda mesmo, melhores fotógrafos. A foto aí em cima foi feita por Mert Alas e Marcus Piggot, que eu não conheço, mas já aprendi que qualquer coisa cujo styling tenha sido feito pelo Alex White é boa. O editorial inteiro tá aqui.
E já que o lance parece ser luzinhas coloridas pastel, aproveita pra olhar essas fotos aqui do Mario Sorrenti, que aparecem na mesma edição:
But what precisely are we getting into with Inland Empire? The only explanation Lynch has offered to date is that it’s about “a woman in trouble.” What kind of trouble? “Well, you know,” replies Lynch, “I just say it’s about a woman in trouble.” That’s it? “That’s it. I can’t really say, because it putrefies the experience. You see a thing, and that thing has been worked on for a long time until it feels correct as a whole. And then it needs to go out without any additional words. It doesn’t do any good for the director to say this or that — it doesn’t really change people’s opinion. They might come up with something far more interesting out of it.”
Da matéria do Village Voice dessa semana, versão reduzida aqui.

Eu tava terminando de ler uma matéria sobre o círculo de pegação Paris-Lindsay-Nicole-Britney em Los Angeles.