Como é que eu conto isso?
Na segunda-feira foi meu aniversário. O namorado fez uma surpresa e comprou ingressos pra uma peça na Broadway chamada Bronx Tale, com Chazz Palminteri. Semanas antes Chazz foi nossa piada interna por participar do A Guide to Recognizing Your Saints, mais um filme sobre como ferrar com a própria vida se metendo com gangues em NYC nos anos 70, e era certo que alguém se RECUSOU a produzir o filme se o Chazz não tivesse um papel, pois ele SEMPRE está em qualquer filme desse tipo. Me cai o queixo que ele não tenha participado do Sopranos nem uma vezinha.
Mas então, Bronx Tale é a peça que ele escreveu e que inspirou Desafio no Bronx, um belo filme que eu não vi ainda. Eu não sabia o que esperar porque era uma surpresa, então a peça começa, ele se apresenta (como ele mesmo) e conta a história da vida dele durante a infância quando ele virou o protegido de um mafioso poderosíssimo chamado Sonny (minha outra teoria é que todo filme de mafioso tem um Sonny).
Primeiro eu tive a impressão de que ele parece com a própria estátua de cera. Acho que era o excesso de maquiagem que eu rapidamente consegui abstrair, porque logo me dei conta de que não tinham outros atores. Com cenário simples e em tom de quem conta uma história engraçada e antiga pra amigos numa mesa de bar contando essas histórias da infância dele, ele resgata TODOS os personagens mafiosos que a mente humana conseguiu inventar até hoje, e que são comuns dos filmes modernos de máfia italiana em Nova York.
Foi uma hora e meia sem intervalo onde ele não parou nem pra tomar água. E o que parece incrível em termos de números é, na verdade, completamente genial na arte de contar histórias, da maneira como ele escreveu esse texto em formato de monólogo à maneira como ele, basicamente, interpretou sozinho as partes de todos os diálogos que aparecem no filme (até onde eu sei dos vídeos que achei no YouTube, inclusive essa) sem confundir a platéia. E mesmo o que parece “ih, lá vem história de mafioso” soa como um relato bastante real daquela época, com o bom humor que é possível quando se fala de algo trágico que aconteceu faz muito tempo.
(Comentário desconexo: em algum momento da peça, Chazz chama um personagem de “nigger“, e pode-se escutar a platéia suspirar MUITO ALTO de horror porque um branco pronunciou aquilo. É um xingamento terrível por aqui, mas que eu não consigo entender completamente talvez porque não consigo me lembrar de nenhuma palavra em português que choque pessoas de todas as idades da mesma maneira. Se alguém se lembrar, me sussurrem aí nos comentários.)
Não me conformo que não tenha YOUTUBE disso pra eu mostrar pros amigos.
Fazia tempo que eu não sentia ressaca de CARNE. Tá tudo devagar hoje. Juro que não bebi.
Excelente, fazer aniversário.
BT e Stageworks criaram esse site com vídeo interativo destinado a ensinar jovens na High School a respeito de Shakespeare, mais especificamente o monólogo inicial de Richard III. A beleza é que a parte vídeo interativo é SIR Ian McKellen dissecando frase a frase do monólogo, comentando performances famosas desse texto (incluindo a dele próprio) e compara a importância de Shakespeare no nascimento de filmes atuais como a trilogia Senhor dos Anéis e X-Men (nos quais também atuou e que a garotada certamente viu). Sensacional.
Fora que, no site inteiro, ele é chamado de SIR.
Tá ligado que o Radiohead lançou um CD novo né?
E que ele tá disponível pra download no site deles.
Pelo preço que você quiser pagar.
É que rolou uma lagriminha aqui, achei bonito que algumas pessoas estão tentando entender a internet, finalmente. Tomara que dê certo e revele novos business models.
A falta de internet, televisão, móveis e barulho na minha casinha nova faz com que eu chegue em casa todos os dias pra tomar uma ou duas taças de vinho enquanto leio uns livros que achei na rua enquanto ainda morava perto de Park Slope — sim, aqui as pessoas deixam na rua para os outros pegarem os livros que não querem mais, e as ocorrências mais freqüentes de onde eu morava são Freud, Shakespeare e livros técnicos de qualquer assunto. No mais, enquanto a internet não vem, continuo um pouco sumida e silenciosa nesse blog. Volto provavelmente na semana que vem.