A primeira parte dos Estados Unidos a ser colonizada pelos ingleses foi o Nordeste, do qual o Maine (e NYC) faz parte. Isso significa que, enquanto o resto do país é relativamente novo e as cidades e vias já foram construídas pensando nos carros que circulariam por elas, o Nordeste é antigo, as ruas são estreitas e a paisagem de centenas de anos atrás foi relativamente conservada. É o caso de Portland, a capital e uma das únicas cidades razoavelmente condensadas do estado inteiro. O resto do estado é meio que um subúrbio gigante de casas enormes com jardins imensos, praticamente sítios, em cidades delimitadas por linhas arbitrárias.
Poucas dessas casas são habitadas durante o ano inteiro. Maine é um estado onde se vai passar o verão naquele esquema “férias no campo”, de verdade mesmo. Até porque antes de ir pra lá, nesse último Natal, eu não sabia de ninguém que passasse as férias no campo e se divertisse e relaxasse tanto como na praia.
Por conta desse movimento que acontece só durante o verão, as cidades não têm muito dinheiro, ainda que os donos de propriedades por lá sejam ricos. Mas eu contei toda essa história porque o que mais me chamou a atenção lá foram as estradas que cruzam cidades sem iluminação pública, isso num estado onde anoitece às 3 da tarde no inverno e neva pra cacete. Quando nevou, o serviço público limpou as estradas antes mesmo que a tempestade parasse, mas ainda assim.
Ok, isso tudo pareceu pessimista, mas a real é que a grande beleza do Maine é que não tem nada pra fazer lá. Fica muito fácil relaxar, olhar a paisagem de milhares de pinheiros, a NEVINHA na janela, e fazer coisas bizarras, como andar de esqui e escorregar num PNEU morro abaixo na neve. Durante o verão dizem que o canal é curtir os lagos.
Mas, a qualquer momento do ano, qualquer um que acabe por lá deve dar uma olhada nas outlet stores e se lavar comprando roupas de marca por pouca grana. Fora isso, é, não tem NADA pra fazer lá.
E, pra quem não tinha visto ainda, as fotos estão aqui.


Mais duas da série fotos perdidas. No Upper East Side, em algum dia de verão.



Limpando meu computador da zona que ele está, encontrei umas fotos que estavam perdidas num cartão de memória. Essa é de algum dia no verão em que eu saí pra caminhar no parque, quando ainda morava perto do Prospect Park. Saudades daquele parque.
A primeira coisa que me ocorreu, depois de estranhar todo mundo falando português, foi:
- Nossa, como essa gente se ABRAÇA e se PEGA.
Passeando pela Vieux Montréal, vi uma vitrine de uma livraria meio incomum: não havia best sellers nem nada que eu conhecesse, mas apenas livros de moda e fotografia, coleções estilo Taschen. Achei muito lindo e interessante e entrei. Librissime era o nome do lugar. Logo na porta há um quadro negro com uma frase de Groucho Marx: “I find television very educating. Every time somebody turns on the set, I go into the other room and read a book”.

Mas, naquela loja, aquela frase estava carregada de uma ironia não intencional, pois era basicamente uma loja de coffee table books — uma categoria de livros criada para os arquitetos da Casa Cor enfeitarem as salas que eles criam e dar um toque meio lifestyle pra coisa toda. Ou seja, você não compra um coffee table book porque ele tem uma ótima seleção de fotografias daquele cara que você adora; na verdade, você ganha um coffee table book de presente de alguém para deixar em cima da mesinha de centro da sala pras visitas olharem enquanto você abre o vinho. Ok, esses livros na real são bem legais, e eu tenho um monte deles. O que me deixou cheia de mixed feelings é existir uma loja disso.
Os livros que não eram de fotografia eram edições decorativas caríssimas de grandes obras de literatura, como a Divina Comédia em três volumes com capa de madeira aí embaixo: tipos, quem é que compra isso por 5 ou 10 mil dólares porque quer LER? Os de fotografia não eram muito caros, mas encorajava-se que o cliente comprasse uma caixa de papelão bonitinha de $300 que vinha com quatro livros à escolha entre uns 30 títulos daquela coleção.


Como em qualquer loja de estilista famoso no Soho, a loja tinha uns sofás antiguinhos que não serviam para as pessoas sentarem, mas sim para exibir os livros displicentemente jogados. Nas prateleiras não tinham muitos, mas eles eram organizados pela cor da lombada. Pra falar a verdade, se tirassem os livros de lá, eu diria que a mobília toda era destinada a uma loja de roupas, não a uma livraria.

O pior de tudo é que o site consegue ter ainda menos conteúdo: não tem nem a porra do endereço lá. Por favor, me digam se estou exagerando ou se isso é mesmo hediondo.
Finalmente criaram um widget de tirinhas do Dilbert. E eu nem gosto de widgets, e eu mal entendo o que são widgets exatamente, mas esse tá especial. Pra pegar também, é só clicar em grab it depois de passar pela tela inicial.
Com o melhor cabeleireiro barato do MONDO - nunca amei tanto meu cabelo na VEEDA, e saiu barato mesmo comparando com preços no Brasil. Quando cortei pela primeira vez, ele ficava dizendo I DON’T CUT HAIR, I CUT STYLE, com aquele sotaque de não faço idéia onde. YOU TELL ME TO CUT HAIR LIKE PICTURE I NO CUT HAIR LIKE THIS I CUT LIKE TO FIT YOUR STYLE.
Mas só abordei o assunto porque achei que tu iria gostar de ver uma foto dele com o Marky Mark. Grande figura.

Marquei a viagem a Montréal na primeira semana de 2008, pra aproveitar o fim-de-semana prologado pelo feriado local do dia de Martin Luther King, no dia 21 de Janeiro. Mal desconfiava que as duas semanas anteriores à viagem seriam de medo e delírio e 120 horas de trabalho. A mesma coisa aconteceu com o Jon, o que nos fez decidir por uma viagem mais relaxante, menos “vamos ver TODOS os 10 melhores lugares da cidade e os 20 que os nossos amigos indicaram, tudo em 3 dias”.
Então não vimos muito. Perdemos o museu de belas artes, o museu de arte contemporânea e outras coisas, mas isso nem era prioridade. Ainda assim, posso dizer que absolutamente tudo o que eu vi foi muito massa, tudo o que eu comi tava delicioso e todas as pessoas com quem eu falei foram legais. Mesmo com o frio de -15 graus, vento e neve.
Começamos pelo Jardin Botanique, supostamente o segundo maior jardim botânico do mundo. Obviamente por causa da neve, a maioria das atrações estava fechada, mas ainda tinham estufas com jardins tropicais, chineses e de cactus. Eu até acharia isso meio chato, não fosse o guia do museu, um velhinho maluco que levava a sério a função de contar histórias. Mas a parte mais legal do Jardin nem são as plantinhas, mas o Insectarium: uma coleção de besouros, borboletas, baratas e gafanhotos do mundo inteiro, uns vivos e outros mortos. Minha única pergunta era: que tal seria se tu encontrasse ISSO na cozinha da tua casa ao chegar em casa? ISSO era do tamanho de um morcego, porém muito mais assustador.
Vimos muitas igrejas lindas pela cidade, mas só entramos na Basilique Notre Dame, que não prometia nada a julgar pela fachada. Mas por dentro era a igreja mais linda que eu já vi. A visita à Notre Dame foi seguida de um breve passeio por Vieux-Montréal, um bairro LEENDO completamente europeu antigo, e de uma tarde inteira de ceva inesperada na 3 Brasseurs, uma rede de cervejarias francesa que tem 5 franquias em Montréal, e várias outras em cidades que, ahem, falam francês (é, eu NÃO SABIA que a primeira língua de Montréal era francês, nem que muita gente lá nem sabe falar inglês. Desculpa). A Blanche de lá é, oficialmente, a melhor cerveja que eu já tomei em toda minha vida (ok, levemente frutada, mas eu tenho um gosto chato pra ceva). A pizza de lá também é a melhor pizza que eu já comi em toda a minha vida até o mês que vem. Aliás, Montréal tem a reputação de ser a segunda melhor cozinha da América do Norte, sendo San Francisco a primeira (total liderança no segundo lugar, lembra disso?). Não concordo, mas acho que é porque dei muito azar em San Fran: mesmo as comidas mais chinelas de Montréal eram minimamente pensadas, e acho que não comi nada que não fosse “da casa”.
(Voltando brevemente ao 3 Brasseurs: lá descobri que o tal visto de skilled worker, de residente permanente, demora um ano para ser obtido quando se preenche os tais pré-requisitos - basicamente, ter trabalhado uns 5 anos em certas áreas, ter curso superior e falar inglês ou francês fluentemente. Parem de querer ir pra Europa e EUA. Vão pro Canadá, pelamor. Eles querem VOSSÊ lá, e, com aquecimento global, só fica melhor. heh.)
Mas não foram nem as 120 que impediram que visitássemos mais lugares, mas sim o FRIO. Pode-se passar muito tempo, talvez até um mês inteiro, na Underground City, que é um complexo de shopping centers subterrâneo, todos ligados uns aos outros, às estações de trem e a muitos dos prédios de Downtown Montréal. Quase não se torna necessário enfrentar a rua, mas eu achei meio monótono ficar olhando loja. Dizem que a cidade é uma festa permanente durante os meses de verão, e eu consigo até imaginar que o mood seja mais exagerado do que em NY: depois de tanto tempo trancado em casa pra não passar frio, só o que se quer fazer é ficar na rua pelado dançando na grama com um monte de gente em volta. Ou seja, voltarei certo.
Ah, largueri as fotos da viagem aqui, a quem interessar possa.
E, numa P.S. completamente irrelevante mas ainda canadense: vi o WILLEM DAFOE num restaurante mexicano chinelo. Mil beijos, Sabrina.

de Montréal. Postarei as fuetos essa semana. Nunca tinha passado por um frio de -15 graus Celsius COM VENTO. Meu único conselho pra quem for passar por algo assim é jamais deixar qualquer parte do corpo exposta. Eu vi cuspe e vômito congelado na rua, achava que meus globos oculares iriam cair e quebrar, e ficava por uns 20 minutos em silêncio traumatizado depois de finalmente achar um lugar quente pra entrar. Belgas nos perguntaram se tinha palavra em inglês para alguém que sente muito frio — Jon respondeu SABRINA.
Fora isso, foi uma viagem relaxante, sem compromisso de fazer maratona turística, por isso eu tenho certeza de que não vi nem metade do que a cidade tem pra oferecer de mais legal. Mas posso dizer que absolutamente tudo o que eu vi e fiz foi massa. Conto depois.
É fato. 10 ou 11 horas por dia, mais findis. Se trabalha pra caralho em NYC.
Pelo menos tem um feriado na segunda-feira da semana que vem. E eu vou aproveitar pra fugir pra Montreal com my significant other. Dependendo de como for, pensarei seriamente em perder o vôo de volta.