E o motorista que me levou pela metade do caminho me contou que era professor de navegação no mar na Guiana (a Britânica). Me disse que esteve em 35 países por conta disso e que ensinava coisas como matemática, geografia e astrologia (!). Ele começou a me dar aula de navegação, e me contou que dentro de todos os satélites soltos no espaço mora um astronauta, e que esses satélites é que comunicam celulares, GPS, TV e todas essas coisas, que funcionam mais ou menos como as pessoas: de acordo com ele, quando eu vejo o meu namorado, eu começo a SALIVAR e isso significa que nós temos uma QUÍMICA, mas que na verdade, nós dois apenas funcionamos na mesma frequência, assim como os celulares.

Difícil de botar isso em foto, mas, quando nevou, nevou muito esse mês.

Esses dias eu estava numa mesa com duas americanas que noivaram fazem alguns meses. Eu estava presente na manhã em que uma delas comunicou a deus e ao mundo que estava noiva, e acho que é algo que vai habitar meus pesadelos pro resto da vida.
Ela simplesmente sacudiu a mão esquerda na cara de todas os presentes, dizendo em seguida “estou noiva”. O anular ostentava um anel de noivado com o maior diamante que eu já vi na minha vida, e cravejado de diamantes em volta do anel. Era HORROROSO, completamente diferente das modernas e sóbrias alianças de casamento em ouro branco, tungstênio e prata que eu vi nos dedos de outras pessoas. Eu não entendo tanta ostentação. DAVA PRA COMPRAR 50 IPHONES COM O DINHEIRO, PORR. Eu vi ela sacudindo a mãozinha pras pessoas muitas vezes naquela semana depois, mas confesso que ainda não sei como é a cara do noivo.
Eu perguntei pros meus pais naquela semana sobre como é que acontecem essas coisas no Brasil quando se casa na igreja. Eu não tenho muitas outras referências além dos meus pais, pois os meus amigos brasileiros entre 25 e 35 anos, diferentemente dos americanos, levam morar junto bastante a sério, e consideram isso casamento suficiente. Eles confirmaram a minha suspeita de que no Brasil se oferece o anel de casamento na hora do noivado (alguém confirma isso?), mas esse é usado na mão direita. Depois do casamento, ele é usado na mão esquerda. Considero esse costume bem mais interessante.
Eles também me contaram que existia esse papo de anel de noivado no Brasil também, em outros tempos, mas que isso provavelmente ficou meio salgado. Em outra nota, soube que os adolescentes de hoje andam adotando a tal aliança de compromisso, razoavelmente barata mas suficiente para dizer “ei, essa já tem dono.”
Aqui, pelo que entendi, as mulheres FAREJAM quando serão pedidas em casamento, e, como quem não quer nada, olham anéis de noivado e apontam os que gostam mais, já que a regra diz que homens em geral não sabem comprar jóias. Eles compram o anel e se ajoelham na frente da mulher e coisetal. Depois disso, quando se aproxima a data da cerimônia, eles compram as alianças juntos. Depois do casamento, a mulher usa o anel de noivado e o de casamento no mesmo dedo ao mesmo tempo. Em alguns casos, o anel de casamento da mulher também é cravejado de diamantes. Junte isso ao anel de 25 anos de casamento que o marido tem que dar à mulher, o que torna a coisa toda um festival de brilho e purpurina.
Mas, voltando às duas noivas alguns dias atrás: sabe quando tu quase fala alguma coisa sem pensar, daí tu pensa, e daí tu te dá conta da baita merda que tu ia falar? Pois então. Eu quase disse: “NOOOOOSSA, vocês estão usando anéis de noivado i-gual-zi-nhos!” Mas o pior é que eu ia completar com algo do tipo “ah, mas ok, o dela tem menos diamantes.”
Update: mais sobre a mania de BLING dessa gente em ótima matéria da Slate.
Esse Barack Obama é um mistério, UMA COISA DE PELE ASSIM. Não tem nada pro povo americano gostar dele, mas gostam mesmo assim. O Scott Adams disse no blog dele:
There’s a lot to like about Obama as a candidate for President. The man has gifts; no doubt about it. But the thing that fascinates me most is how hard it is to label him.
He’s neither white nor black.
He’s neither old nor young.
He’s not a southerner or northerner because he grew up in Hawaii.
He’s not too left or too right.
He’s not too Christian, and even has a Muslim name. (Sim, amiguinhos, o nome do meio dele é HUSSEIN.)
He’s not an old school politician or a newcomer.
He’s not handsome in a standard way, yet he’s attractive. (I got a crush on Obama)
He’s a man, but somehow projects a feminine vibe too.
Além de ser excelente jogador de pôquer, o nome dele espelhado ler algo parecido com amadO. Hoh. Muito medo desse cara.
Vários integrantes da máfia italiana da família Gambino foram presos na semana passada. O esquema foi tão grande que pessoas foram presas até na Itália. Eu recomendo a matéria do Gothamist, especialmente a lista de nomes bizarros de mafiosos.
Mas eu só mencionei isso aqui por causa dessa foto sensacional que saiu na capa do Daily News, o jornal sensacionalista local:

E essa história de jornal sensacionalista me lembra anos atrás quando eu ainda tava em Porto Alegre na faculdade de artes plásticas e a gente tinha uma lista de discussão no falecido eGroups.com. Chamava-se “Enquadra e Põe na Sala”. Tinha uma coisa bizarra naquela lista de discussão, que era que as figuras mais estranhas eram justamente as que nós não conhecíamos pessoalmente, e que descobriram a lista sabe-se lá como.
Em algum momento resolvemos organizar uma exposição coletiva da lista, e o tema era sexo. Essa expo não tinha muitas pretensões fora beber vinho barato, distribuir camisinhas e tirar fotos constrangedoras, portanto posso dizer que foi divertido.
Pois tinha esse cara de outra faculdade que ninguém conhecia pessoalmente, mas que discutia e brigava muito com os outros integrantes. Quando a gente começou a discutir a idéia da expo sobre sexo na lista, ele ficou muito revoltado porque a gente não iria falar de AIDS (oi, camisinhas?). Ninguém entendeu até que ele enviou um longo e-mail explicando como uma ex-namorada dele que morreu de AIDS ensinou ele uma técnica de masturbação que envolvia o garoto sentar na própria mão até ela adormecer e então iniciar, o que resultaria na sensação de outra pessoa estar manuseando o seu órgão. Acho que também tinha alguma coisa romântica dele fazer isso sempre pensando que a mão era dessa ex. E também acho que essa técnica tem algum nome específico que me foge agora. O e-mail terminava com um pedido pra ser retirado da lista.
Isso foi piada por muitas semanas, especialmente porque ninguém sabia quem era o cara, ou mesmo se não era um de nós enganando os outros.
Até que uma noite eu fui comprar uma pizza num postinho de gasolina e vi o Diário Gaúcho. A capa era uma foto sensacional de um gordinho algemado de camisa nos seus 30 anos tentando se desvencilhar de 2 policiais e levando um susto com o flashaço da câmera. A legenda era algo do tipo PRESO MANÍACO DO FUSCA EM PORTO ALEGRE. O nome do maníaco era o mesmo nome do fulano da lista de discussão.
Obviamente comprei o Diário, e li que o lance do maníaco do fusca era o seguinte: ele andava de fusca amarelo por volta do bairro dele, abordava meninas na rua e mostrava uma foto de uma outra menina pra elas, perguntando se elas conheciam. No que elas diziam que não, ele jogava um LÍQUIDO FEDORENTO NÃO IDENTIFICADO na cara delas e saía disparado no fusca. Isso aconteceu várias vezes até que ele foi seguido e encontraram um fusca amarelo na casa dele, fedendo e tal.
Não sei o que aconteceu com ele depois. Obviamente ninguém tocou no assunto na Zero Hora. Não adianta dar google pra saber quem é o cara, não aparece em lugar nenhum. O que é uma pena, porque aquela foto dele na capa do Diário Gaúcho era tão sensacional quanto essa aí em cima da prisão dos Gambino.
Agora que me ajeitei um pouco em termos de trabalho, fiquei ambiciosa e resolvi voltar a fazer cursos de fotografia. Eu tinha parado porque achava que, depois de aprender a iluminar com strobes, era só treinar bastante fora das aulas que eu pegaria prática. Como treinei pouco, e as poucas vezes em que treinei foram muito frustrantes, lá vou eu de novo: mais um curso de Fashion Photography (dessa vez com mais ênfase em luz do que em processos de trabalho) e um curso de iluminação de still life.
Fiquei muito feliz com os resultados da aula de Fashion Photography (abaixo). E mais feliz ainda que finalmente consegui instalar o Photoshop CS3, o Adobe Lightroom pra editar os arquivos RAW e calibrar o monitor pra tratar essas fotos. MUITA diversão até tarde da noite ontem tratando imagens. Aceito críticas em relação a elas. Muito amarelo? Manchado aqui e ali? Quero saber, me contem.



O Brasil é um país católico, né? (ok, ok, mas é, né?)
Por que só aqui nos EUA mesmo as pessoas levemente católicas passam na igreja na quarta-feira de cinzas pra sair de lá com a testa manchada de cinzas em formato de cruz? Eu NUNCA vi isso enquanto morava em Porto Alegre, e agora tem um MONTE de gente aqui no trabalho entrando nas reuniões com a testa manchada. Me sinto um ALIEN por achar isso estranho. Eu quase disse pra alguém “tu esqueceu de limpar a tua testa” hoje.
Será que tá todo mundo muito de ressaca do carnaval no Brasil pra ir na igreja fazer isso?
Ontem foi a final do Super Bowl, no Arizona, entre New York Giants e New England Patriots. É o maior evento televisivo dos Estados Unidos: ontem 97 milhões de pessoas assistiram à partida de futebol americano, e cada anunciante pagou em média 2,7 milhões de dólares por 30 segundos de publicidade. Que nem final da Copa do Mundo, até quem não gosta assiste.
Eu nem tenho muito o que falar a respeito, já que não me prestei a tentar compreender as regras antes nem durante o jogo. O que me chamou a atenção foram OS RECLAMES DO PLIM-PLIM mesmo. Já que pagam tanta grana, os anunciantes criam comerciais maravilhosos que estréiam no Super Bowl ou que só vão ser televisionados uma vez durante a partida.
Meia hora antes do jogo uma American Idol qualquer cantou o hino nacional. Em seguida, uns 3 minutos de comerciais. Volta para a transmissão ao vivo, pára todo mundo que os times vão tirar cara ou coroa, e lá se vai um minuto. Mais 3 ou 4 minutos de comerciais e só então é que começa o jogo. E futebol americano é um jogo que acontece em 4 etapas, intercaladas por intervalos comerciais bem mais fascinantes pra alguém que não tava entendendo nada do que tava acontecendo. Quem estiver realmente interessado pode conferir todos os comerciais do Super Bowl numa página oficial do MySpace (muito cross-marketing, é). Recomendo Tide to Go, no 2nd quarter, e Coca-Cola no 3rd quarter.
Eu nunca assisti a um jogo de futebol americano no estádio (nem de futebol, ahem), mas assisti a hockey e baseball. Nessas situações eu não conseguia entender porquê durante esses jogos as partidas paravam tanto e por tanto tempo. A final do Super Bowl, assim como todos os esportes que vão ao ar na televisão nos EUA, gira em torno das pessoas que vão assistir pela TV, e essas paradas esquisitas eram pros comerciais. Enquanto isso, nós que estávamos no estádio tínhamos que agüentar umas musiquinhas chatas que faziam todo mundo começar a gritar ou mexer os braços. Levantar da cadeira, só se for pra pegar um cachorro-quente. 3 ou 4 minutos mais tarde, retomava-se o jogo.
E eu já imaginei porque futebol não faz sucesso aqui: 45 minutos é muito tempo sem intervalo comercial pras emissoras conseguirem vender alguma coisa. Juro que os americanos que eu conheci gostam muito mais de futebol do que eu imaginava.