Sábado passado, fazendo baldeação na estação Union Square, notamos um monte de penas entrando por uma grade no chão da rua. Saímos para a rua e vimos isso:


No último sábado tinha essa guria no bar, loira de cabelo comprido, trajando um vestido longo rodado com estampa de leopardo e mangas compridas, e um cinto largo dourado por cima. Acho que calçava All-Stars e vestia uns outros dourados. Até era bonita, mas um pouco acima do peso para o modelito. Ela era namorada de um conhecido, e ela não me cumprimentou, ainda que já tivessem nos apresentado em outro momento. Mas ela cumprimentou os outros, sim: com um gritinho, AAAAAHHHHHH, MEU NEGOOOOOO, jogando os braços pra cima e depois em cima da pobre vítima. Depois de cumprimentar todo mundo que ela queria, ela continuou dando gritinhos UHUUUUUUU com os braços pra cima toda vez que via ALGUÉM de novo.
Por que existe gente assim no mundo? Sério. Eu acabei trocando de ambiente, porque era como um atropelamento, eu não conseguia deixar de olhar, eu não conseguia me concentrar em nenhuma conversa com aquela pessoa ali.
Mas eu não fiz isso rápido o suficiente para evitar que, em um de seus acessos, ela derrubasse o meu copo de cerveja CHEIO no chão.
Se ela me comprou outra ceva? Não. Se ela pediu desculpas? Claro que não. Não, essa não é uma daquelas histórias em que a primeira impressão é traída por algo como “ah, ela é assim mas ela é legal e divertida”, “ela escreveu o melhor livro que tu já leu”, “ela é pesquisadora, tá procurando a cura pro câncer”. Não, ela é só uma coisa que existe, e que um dia cairá de cara no chão, se tudo der certo.
Eu acho que todo mundo deveria assistir a Glengarry Glen Ross (O Sucesso a Qualquer Preço no Brasil), único filme no mundo com Jack Lemmon, Al Pacino, Alec Baldwin e Kevin Spacey AO MESMO TEMPO.
A, B, C. Always. Be. Closing.
“Fairy” é provavelmente a pior ofensa do xingamento inteiro.
Depois, eu acho que todo mundo deveria saber que isso tudo aconteceu porque um cara chamado David Mamet escreveu o roteiro da peça que deu origem ao filme. Em seguida, todo mundo deveria assistir aos outros filmes cujo roteiro é do Mamet — não os que ele adaptou para o cinema, mas os que ele criou: Edmond, Spanish Prisoner, Olleana. Ele escreveu Hoffa também, mas eu não posso recomendar porque não me lembro de ter assistido. Ontem eu vi Lakeboat, e não amei, mas olha isso, a partir de 1:06:
Don’t tell me about beer, Joe. Please, don’t tell me about beer. I drunk beer.
Eu entendo porque atores aceitam qualquer papel, mesmo que seja uma ponta, se o filme é do Mamet. Se eu fosse atriz, eu gostaria de repetir diálogos assim pro resto da minha vida. E a real é que eu fico repetindo mesmo assim.
Tou me mudando DE NOVO no dia 31 de março. Mesma região (Greenpoint), a 5 quadras da minha casa atual, sem mais landlords poloneses. Provavelmente já contei pessoalmente (ou seja, por MSN) pra todo mundo, mas landlords poloneses são um saco. Eu tou me mudando porque vou morar com o Jon. Ele ia se mudar pro apartamento onde eu tou agora, o problema é que, se assim fosse, eu teria que enviar a seguinte cartinha para a minha landlady polonesa querida de 85 anos pra ela não me chutar todos os dias:
(emulando Mirah cantando Dylan) Dear landlady,
I write to you regarding my tenancy at the above referenced property.
I am excited to inform you that my boyfriend and I are engaged to be married. After careful consideration, I have invited him to move in with me. We are very excited about our coming days together.
I write this letter because NYC law (lei que diz que eu posso convidar quem eu quiser pra morar comigo, na real) allows me to have a cohabitant residing in my apartment and that I formally inform you of this within thirty days of the commencement of this person’s occupancy. As such, I am advising you that my fiancée, J.G., will be moving in on ______.
Dear landlady, I know that you have expressed displeasure with J.’s visiting me on past occasions. I am hoping that this will cease now that he will be cohabiting my apartment. We are both responsible career-minded adults who view our home as a retreat for peace and quiet, and do not wish to have our sanctity disrupted.
Finally, regarding our tenancy agreement, I am happy to remain as the sole tenant on the lease. However, if you would prefer that my fiancée be added to the tenancy agreement, please let me know. Additionally, should you wish to review his references, I am sure he will be happy to provide them.
Should you have any questions or concerns, please do not hesitate to contact me directly.
Não, né? E essa não é a única história horrível de landlords poloneses em NYC que eu conheço. Mas, ei, todos os landlords de NYC são horríveis. Enfim, só espero que more lá por mais de seis meses, para variar um pouco.
Cara, eu tenho MUITA preguiça de tratar fotos, mas às vezes sai. Segue abaixo as fotos que eu tirei na segunda-feira. As que eu tirei na semana retrasada, só no ano que vem.



Tá ligado aquele guindaste que caiu em Nova York no sábado? Caiu bem perto daonde eu trabalho, esmagando, entre outras coisas e pessoas, o prédio do pub chinelo onde o pessoal aqui costumava ir depois do trabalho pra tomar ceva e comer pipoca. O nome do bar era FUBAR, sigla para Fucked Up Beyond All Recognition.

Tá aqui. Afinal, a web não precisa de muita coisa além de um conceito por trás.
Fui no dentista hoje. É a primeira vez que vou nos EUA, e, apesar de ser mestre na arte de escovar os dentes, eu detesto fio dental, então achava que tava na hora de checar se estava tudo ok.
Primeiro a assistente da dentista tirou uns raio-X digitais de TODOS os meus dentes. Achei aquilo legal, apesar de que ela já me saiu recomendando coisas baseada na experiência pessoal dela. A dentista chegou em seguida, olhou meus dentes e concluiu que eles estavam perfeitos, sem cáries nem nada, e que ela só faria uma limpeza de rotina. Perguntei se poderia dar uma olhada nesse ou naquele dente pra ver se estava tudo bem, e foi só.
Mas quando ela estava terminando o serviço, perguntou se eu já tinha branqueado os dentes. Eu disse que sim, uma vez, quando trabalhei no site do Listerine Whitening Strips e me deram uma tirinha para experimentar, e ela basicamente só serviu para queimar as minhas gengivas. Eu não acho que preciso de branqueamento, meus dentes estão da cor dos meus ossos, nem mais claros, nem mais escuros. Mas ela disse que a cor poderia ficar um pouquinho mais branca se eu fizesse esse tratamento no consultório, o que custaria mais de mil dólares por sessão.
Eu pensei, que desaforo, que coisa de americano isso de dentista, que deveria ser um cara em cujo critério médico eu confio para cuidar da minha saúde, fazer recomendações como se eu estivesse num episódio do Queer Eye for the Straight Guy. Mas daí pensei um pouco mais no assunto e me lembrei de quando usei aparelho.
Eu usei aparelho por CINCO anos na adolescência. Três deles foram considerados completamente inúteis, pois Emílio, o ortodontista, de acordo com os outros ortodontistas, estava apenas enrolando o tratamento pra ganhar dinheiro. Recomecei o uso de aparelho com outro dentista, do zero, e esse terminou em 2 anos. Ao final, eu adquiri um clique na mandíbula recorrente do uso de aparelho e tinha dores de cabeça todos os dias. Meu ortodontista disse que não tinha como resolver sozinho, que era bom eu não ficar ABRINDO MUITO A BOCA que senão minha mandíbula iria CAIR, e me mandou pra outro cara, que fez uns ajustes e, apesar de não ter perdido o clique, pelo menos as dores pararam. O mesmo ortodontista me disse, sem que eu perguntasse, que a minha cara ficaria perfeita se eu fizesse plástica no queixo e no nariz.
Meus dentistas foram os caras que me ensinaram como odontologia é uma arte delicada: horas e horas escutando fascinada sobre como os caninos são os dentes que mandam na arcada inteira, e, se eles saem do lugar, todo o resto sai também, e como o bruxismo é a provável causa de todos os males. Agora, por que essa gente não se preocupa um pouco mais em estudar como se desentorta um dente sem me entortar a cara inteira, e menos com meu$ dente$ cujo branco não é perfeitamente azulado? Porque, sério, tá parecendo que odontologia será ensinada no SENAC do lado do curso de manicure.
Imagina a seguinte situação:
Eu resolvo comprar ingressos para um show de uma pessoa que não vai mais, e que tá me vendendo por um preço acima do que ela pagou — digamos R$180,00. Eu combino todo o esquema com essa pessoa por telefone e nos encontramos um dia, muitos dias antes do show, para fazer a troca. Essa pessoa me entrega os ingressos. Eu entrego um envelope com o dinheiro todo, R$180,00, em notas de R$20,00, todas de verdade. Porém, o que ela só perceberá quando chegar em casa e contar o dinheiro direitinho é que eu botei papéis cortados do tamanho das notas no meio.
Não, é só isso. Acabou a história.