Faz meses, anos, que eu queria dizer isso, e a Taís me lembrou vagamente num post nada-a-ver, segundo ela: pode ser que eu não more nessa cidade até o fim da vida. Pode ser que eu vá embora esse ano, ou no ano que vem, ou nunca, vai saber? Mas, aconteça o que acontecer, DEOS, por favor, não deixe que eu vá embora sem testemunhar pelo menos uma filmagem de algum Law & Order. De preferência Criminal Intent com o D’Onofrio (Full Metal Jacket 4ever), pois ele é ngato. Jack McCoy seria super OK também por ser o dinossauro da série, mas ele quase nunca aparece em cenas externas (quase morri quando no último episódio, quando emularam o caso Spitzer, desconfiei que estavam escrevendo a saída dele da série). O detetive Lennie Briscoe e suas gravatas sempre horríveis também seriam o máximo, mas ele faleceu em 2004 (e, de acordo com milhões de posters pelos trens, doou as córneas).
Sério, DEOS. TODAS TODAS as pessoas ATORES dessa cidade e de outras já interpretaram ao menos uma testemunha nas histórias do show. TODAS as histórias verdadeiras que aconteceram aqui foram adaptadas em algum episódio das séries. É completamente injusto que eu não tenha visto uma gravação ainda.


17 quilômetros no primeiro dia voltando pra casa e me perdendo em ruas porque vi coisinhas legais. Pelo menos levei umas 2 our 3 horas pra terminar. 14 quilômetros no segundo dia, fazendo a mesma coisa e descobrindo mais lugares interessantes por minuto do que jamais descobri desde que cheguei aqui. Eu deveria ter desconfiado antes que andar de bicicleta nessa cidade é a única coisa a se fazer: caminhos interessantes e desconhecidos não faltam, muitos trajetos passam por ruas desertas e a cidade é plana na maior parte do tempo. Contarei sobre os lugarzinhos que descobri em uma centena de posts até o inverno, quando certamente não será mais possível fazer essas coisas.

Esse findi foi prolongado aqui nos EUA por conta do Memorial Day, um feriado para lembrar os soldados mortos em guerras. Eu imaginava que o lance seria meio como o dia de finados no Brasil, mas é bem mais festivo; pessoal sai em desfile tocando músicas pelas ruas, e na rua do lado da minha casa teve um desses desfiles, com direito a banda militar, banda escocesa de saias tocando gaita de fole e um grupo de motociclistas. No final do desfile, foi todo mundo encher a cara de cachorro-quente e cerveja numa igreja aqui perto. Bem legal.
In other news, comprei uma bicicleta lilás. Preparem-se, pois não falarei de mais nada além da bicicleta por pelo menos um mês. Isso é melhor do que falar do quanto eu tenho sofrido pra retocar as raízes do meu cabelo para ficarem LOEERAS.

O Jon me contou as melhores histórias de infância que eu já escutei, todas protagonizadas pelo irmão dele, Bill. Aqui vão três delas.
Bill tinha 10 anos e gostava de acordar no meio da noite e APRONTAR coisas. Na casa deles tem muitos, muitos livros. Ele pegou todos os livros de culinária grandes de capa dura tijoludos que conseguiu encontrar e enfileirou, um depois do outro, de pé, começando a fila no quarto dos pais dele, descendo a escada e terminando sei lá aonde. Os pais dele acordaram com aquela obra bloqueando a passagem, e um recado que dizia “Good morning! It’s cookbook dominoes!”
Noutra ocasião a mãe dele acordou e encontrou uma mensagem na cozinha, escrita na máquina de escrever, que dizia: “Querida, você gostaria de se divorciar? Você fica com as crianças. Sinceramente, [assinatura]”
E a outra é que eles tinham um gato e um cachorro. O segundo não podia ver o primeiro sem ficar todo menstruado, então eles mantinham o cão de noite no andar de cima e o gato no andar de baixo. Uma noite a mãe deles acordou com um miado dentro do quarto e iniciou uma busca desesperada pelo gato, que não parava de miar mas não aparecia em lugar nenhum, e poderia ser MORTO a qualquer momento pelo cachorro. Só encontraram, muito depois, um gravador embaixo da cama que repetia o miado do gato que o Bill gravou. O cachorro, obviamente, nem acordou.
Como se acaba um dia ruim, em que você foi exposto na frente da diretoria, pessoas não te deixaram terminar de falar muitas vezes e te hostilizaram por algum motivo obscuro, você já não tava de bom humor e passou o dia todo com sono, a lente de contato incomodando e sem nenhuma presença de espírito ou vontade de viver porque a humanidade é ruim, não te entende, você tá longe de casa e dos amigos de verdade?
Com o filho* de 10 anos da tua faxineira vindo até a tua casa pra te dar o Halo 3 de presente porque ele ganhou de alguém que não sabia que ele não tinha Xbox. Isso junto com um pirulito de framboesa.
* e ele usa ÓCULOS!
Estou matriculada desde janeiro na YMCA (it’s fun to stay at the YYYYYYY, MM, CC, AAA-AH!) aqui perto de casa porque precisava dar um jeito no meu traseiro gordo. A coisa interessante da maioria das academias por aqui é que tu paga uma taxa fixa pra usar quase todos os recursos disponíveis: piscina, academia e qualquer aula de qualquer coisa. Achei isso ótimo e pela primeira vez na minha vida encontrei a minha verdadeira vocação esportiva: ficar pulando de aula em aula sem seguir NENHUMA em específico, desde que faça exercícios 3 vezes por semana. Essa vocação, é claro, vem depois da natação, que só não pratico mais porque simplesmente não existem piscinas maiores do que banheiras nessa cidade.
Por conta disso, em 3 meses experimentei tudo o que nunca tinha feito antes: pilates, tai chi, karate, dança do ventre, vários tipos de yoga. Achei todos o máximo, desde que não tenha que me comprometer com nenhum deles 3x/semana por 3 meses.
Mas eu queria era falar de yoga. Tenho que tomar muito cuidado ao falar sobre isso porque conheço um monte de gente sensacional que dá aula de yoga, então, tenham paciência comigo porque, pra todos os efeitos, eu não sei do que estou falando.
Mas olha só. Yoga originou de uma prática espiritual indiana, que abraça aspectos físicos e religiosos e tem um montão de filosofia e fé e história por trás que não dá nem pra começar a contar. Uma das yogas, a das posições e coisetal, foi importada para o ocidente como exercício físico, que as pessoas usam pra ficarem saudáveis, creio que como qualquer esporte. Mas daí tu vai na aula de Yoga (pelo menos com os 4 ou 5 professores com quem tive aula na minha vida) e o instrutor começa a filosofar na tua cabeça.
Hoje, por exemplo, fomos instruídos a dedicar a nossa prática de Yoga a uma pessoa em especial. Fechar os olhos e pensar naquela pessoa — o que eu não entendi. Depois, a cada momento em que ela via alguém (eu mais que qualquer um) se desequilibrar ou sair da posição por cansaço, ela dizia que não tinha problema, que não deveríamos desistir ou nos sentir frustrados, que deveríamos nos perdoar a nós mesmos, que tudo era um caminho, etc ad infinitum. No final da aula, relaxamento, todo mundo deitado no chão de olho fechado no escuro imaginando um rio correndo e levando todos os nossos pensamentos embora — ou algo assim.
Uma coisa é tu me dizer pra eu me concentrar no que eu tou fazendo, pura e simplesmente. Outra é achar que eu vou cair em revelação divina a qualquer momento no meio de uma academia como se eu tivesse nascido na ÍNDIA. Minha teoria é que, se é pra MacDonaldizar o lance, vai até o fim, chama de ESPORTE de uma vez. Larga dos objetivos espirituais porque o objetivo principal de qualquer pessoa que começa uma academia é um e apenas um: que a minha, a sua, a nossa bunda não caia. ESTODOS foram feitos provando que yoga melhora a auto-estima tanto quanto qualquer outro exercício. Não esqueça: auto-estima = bunda.
Mas tudo bem, pois as chances de que eu não tenha entendido são de 100%. Prometo parar de ir nas aulas e permear a atmosfera com energia RUIM e posições como A ÁRVORE DERRUBADA PELO KATRINA ao invés da saudação ao sol.