Brasileiros que gostam de misturar um inglês no meio do seu português falam palavrão pra cacete. MESMO. Só americano DAS GROTA fala tanto f*cking isso, f*cking aquilo. E pior é que escrevem esses palavrões, fazendo a soma final de palavrões em inglês ser muito maior do que a soma de palavrões em português. Será que é porque, em outra língua, não soa tão forte quanto é na realidade?
Não quero ser injusta, eu não sabia disso antes e falava uns palavrões descabidos. Até uma amiga dizer que era melhor eu não dizer algo como f*ck buddy em nenhuma conversa com ninguém, basicamente. Não cairia bem NUNCA.








Dizem que tu só vira nova-yorkino depois de atravessar a ponte do Brooklyn. Fácil, né?
Williamsburg é um bairro do Brooklyn que ficou conhecido nos últimos anos pela efervecência cultural. Isso é a mesma coisa que dizer que os artistas e pessoas CRIADORAS em geral se mudaram pra lá quando era absurdamente perigoso e industrial e que quando festas começaram a acontecer lá e pessoas ricas descolê foram assaltadas ou algo assim, a polícia limpou, os aluguéis subiram, a cerveja encareceu e jovens estudantes do centro do país sonhando em conquistar a própria liberdade de expressão na cidade grande com financiamento paterno tomaram conta. Mas mesmo assim eu vou lá todo findi encher a cara.
Mas isso é o norte de Williamsburg. Apesar de ter sofrido tantas mudanças nos últimos anos, o sul, tomado por judeus ortodoxos, não se moveu. Eu sempre passava por lá de ônibus quando morava no sul do Brooklyn, e a sensação era de que estava passando por uma zona de guerra e que eu não deveria descer sob hipótese alguma, porque aquela parte parou em algum momento de 1940. Os prédios têm todas as janelas completamente gradeadas em qualquer andar, o que é incomum aqui até mesmo para zonas perigosas (não é o caso). Os homens andam com chapéus enormes, as trancinhas laterais óbvias e casacos pretos até o chão com terno por baixo até no verão. As mulheres se vestem mais risqué, mas ainda parece que todas compraram roupas na mesma loja, variando apenas a estampa: sempre uns vestidos longos de festa, ou umas saias abaixo do joelho com várias camadas. Na cabeça, uma peruca de cabelo liso e castanho com franja ou uma touca bizarrra que parece toalha enrolada na cabeça. De resto, broches, muitas jóias e mais filhos ainda.
E daí eu finalmente comprei uma bicicleta, e esse foi o primeiro lugar pra onde eu quis ir. A primeira coisa bem óbvia que eu comprovei é que, sim, eles falam iídiche, ou isso misturado com inglês. Mas ninguém me dirigiu a palavra nunca. Pra falar a verdade, a minha maior surpresa foi suspeitar que talvez exista uma pequena comunidade latina morando lá no meio e brincando nas mesmas pracinhas, mas as crianças nunca se misturam. Os meninos judeus estão sempre de terninho infantil, mesmo pra brincar, e as meninas sempre de vestido. Enfim, estão todos dando uma banda casual no domingo mas parece que acabaram de voltar de um casamento.
Voltando pro norte de Williamsburg em direção a Greenpoint, fiquei feliz por morar numa cidade onde no verão na maior parte dos lugares, as pessoas usam bem menos roupas do que em Porto Alegre. E por não ter adquirido convicções religiosas.
* quote aproximada de episódio lendário do Law & Order em que, para extraditar um judeu assassino foragido em Israel para ser julgado nos EUA, ORDER dá um jeito de provar para um bando de rabinos importantíssimos que o cara não passou por todas as etapas necessárias para ser judeu, além de ser adotado, e os rabinos batem o martelo NOT JEWISH, os pais caem em desgraça e o cara é mandado de volta, o que me fez morrer em cristo 14 vezes.