Ha, você quase pensou que esse blog nem existia mais. Desculpa, foi aquela coisa de boas festas + viagem pra Paris + quantidade absurda de trabalho pra fazer logo que o ano começou. É, fui pra França. A idéia era aproveitar que tinha vários bons amigos por lá nessa época e nenhuma família pra ver durante o feriado pra consertar isso de nunca ter estado na Europa na vida.
A primeira decisão que eu tomo após uma viagem dessas é que nunca mais viajo pra esses LUGARES DE PRIMEIRO MUNDO no inverno, muito menos essas metrópoles simpáticas onde a coisa mais divertida a se fazer é caminhar e se perder. Já testemunhei amigos demais MORREREM aqui em NY no inverno, já morri com -16 graus em Montreal em fevereiro, não sei porquê não aprendi ainda. Paris é uma cidade dessas de caminhar e se perder e ver lojinhas e coisinhas e ruazinhas e prediozinhos. Se tá muito frio, tu passa a maior parte do tempo se arrependendo de não estar vestindo 5 pares de meias. A única coisa a se fazer era beber vinho (ó, que sofrimento) ou se trancar nos museus (atrolhados de turistas) durante o dia. Adoro museu, e é quentinho ainda por cima, mas quem pode dizer que descobriu a FRANÇA DOS FRANCESES se passou o tempo inteiro vendo o Louvre?
A outra decisão não é uma decisão, mas uma constatação, talvez consequência do frio: acho que quase não tenho o que mostrar de Paris. Tirei umas fotos, mas qual é a função de tirar uma foto da Tour Eiffel quando todas as fotos dela já foram tiradas, e tá muito frio pra eu ficar pelada na frente da torre e tirar a única foto que ainda falta? Tá, eu tirei as fotos (de roupa), elas estão lá, mas toda a vez que eu tirava a câmera do bolso pra fotografar algo aparentemente obrigatório, eu me sentia como se estivesse trabalhando. Sim, Susan Sontag Cabeção pra caralho isso, mas eu acho que nunca foi tão ridiculamente óbvio do que em Paris. Nem em NYC é tão óbvio.
E, depois de me mudar pra NY, eu sempre viajo pra qualquer lugar e penso “nossa, como as pessoas são gentis aqui!”. Paris foi a exceção. Eu tava só no cotovelo lá, claramente afiado de NYC. Mas NYC perde bonito pra Paris em termos de falta de educação.
Mas eu reclamo demais, quando na verdade gostei muito da viagem, e ela me deixou cheia de vontade de fugir-pela-janela-cortinas-ao-vento e continuar visitando novos lugares. Aquela coisa que só viagens conseguem fazer contigo. Paris é linda. É uma cidade ADULTA, no sentido de que vi apenas crianças e adultos, ninguém que parecesse cair na categoria adolescente, mesmo que fosse da idade de um adolescente. Conversando com a Carol, a gente achou que existe uma certa pressão para, depois dos 12 anos, as pessoas virarem adultas imediatamente e serem responsáveis por si mesmas. O que eu acho fantástico, especialmente vivendo numa cidade em que todo mundo se acha jovem demais. Talvez minha percepção esteja errada, mas se estiver, não me conte.
E as mulheres, meu deus. Mulheres lá são MULHERES. Podem usar cinta-liga rosa, sutiã de renda e calcinha preta sem medo de ser feliz. Aqui nos EUA, cinta-liga é coideputa, Victoria’s Secret não vende mais renda, calcinha tapa TODABUNDA. Ser MULHER deve ser coidetravesti nos EUA. Se levar em conta que as francesas são as pessoas que melhor ostentam uma echarpe em volta do pescoço em todo o mundo, talvez seja coidetravesti mesmo.
E não posso deixar de falar, depois de repetir muitas e muitas vezes no Twitter, que tomar mais vinho do que água porque é mais barato e causa menos ressaca é uma das coisas mais sensacionais do mundo. Meus amigos tomavam cerveja (as mesmas cervejas que se toma por aqui, aliás) e eu perguntava POR QUÊ? Vinho é tão melhor e mais quentinho. E, ai, os queijos. UMA MURALHA DA CHINA DE QUEIJOS no supermercado. Mais sobremesas loucas, mais bistrôs. Que eu engordei apenas 3 quilos em 10 dias lá foi um MILAGRE.
No mais, visitem o Le Marais, e muito, e tomem sopa de cebola gratinada no restaurante que tem um canário cantando na janela toda vez que tu pede alguma coisa. Não percam o Museé D’Orsay, mesmo que as filas sejam desanimadoras. Percam o Champs Eliseé com força — lá só tem brasileiro mesmo. Quartier Latin é uma graceenha também. Passeando pelo rio Sena, procure pelo barco estacionado que tem uma cama em cima da cabine.
E não deixe de passar no supermercado. Se tem alguma coisa que os guias de viagem esqueceram de dizer foi isso.